Agora escrevo aqui:
http://livrosdamaria.wordpress.com/.
Te vejo lá!
Maria e seus livros ::: Maria och hennes böcker ::: Maria and her books ::: Maria et ses livres
Segunda vez que leio a obra-prima de Truman Capote. O livro conta a história do assassinato de uma família inteira numa cidadezinha de Kansas, no final dos anos 50. Capote foi fazer research in loco, junto com a amiga e escritora Harper Lee ("To Kill a Mockingbird"), e acabou escrevendo um livro - além de se apaixonar por um dos acusados. O livro é genial. Capote é genial. Que estilo! A história é completíssima, com todos os detalhes possíveis, tanto que parece uma obra de ficção, até porque o autor fala de si próprio na terceira pessoa, como se estivéssemos - nós, os leitores, e ele, o narrador - de fora, olhando tudo aquilo de uma distância segura. É como se Capote estivesse sentado do meu lado, me contando a história mais fascinante e mais terrível do mundo. Maravilhoso. Recomendo.



O terceiro da escritora e jornalista inglesa Jenny Diski que leio em pouco tempo. E ainda não me cansei. Se pude$$e, compraria outros imediatamente. Esse aqui é sobre a viagem dela de trem pelo continente americano. Ela conta a história das pessoas que conheceu no trem e, principalmente, daquelas com quem dividiu o compartimento para fumantes. Eu detesto cigarros; fiquei meio irritada com a devoção de Jenny Diski aos tubos de nicotina, mas nem por isso ela deixa de escrever divinamente.





Esse é o último livro da trilogia Millennium de Stieg Larsson e o melhor dos três. Por mais que eu ainda não goste do estilo dele, por demais masculino, o enredo é bacanérrimo e rende boas horas de entretenimento. Ainda mais porque finalmente as coisas começam a funcionar pros protagonistas, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander (minha preferida). Vou dar cinco corações porque o livro é mesmo legal no que diz respeito a aventura, mas se julgasse apenas o estilo, daria dois ou três. Mas, estilo é coisa bem pessoal, né? O primeiro livro da trilogia de Stieg Larsson já foi traduzido pro inglês ("Men Who Hate Women"), pro dinamarquês ("Mænd der hader kvinder") e pro alemão ("Verblendung"). O segundo, pelo que descobri, existe também em dinamarquês ("Pigen der legede med ilden") e em alemão ("Verdammnis"). O terceiro já teve sua versão dinamarquesa lançada ("Luftkastellet der blev sprængt"). Recomendo.



O Clássico de Truman Capote é excelente. A história em si é o menos importante, o mais bacana é como Capote vai desvendando o perfil das personagens, principalmente Holly. Se tem uma coisa que Capote sabe fazer é, com algumas poucas palavras, nos dar uma idéia exata da personagem de um livro. O perfil é perfeito. Gosto muito também da sofisticação da linguagem, que mistura idiomatismos de época, expressões do sul dos EUA e sofisticadas palavras em um francês en peu decadent. Mais uma vez: com isso, ele nos dá uma idéia exata dos personagens. Quem me dera poder escrever assim! Adorei.



Mais um livro da escritora inglesa Jenny Diski. Esse é mais pesado do que o outro que li umas semanas atrás. Ela conta alternadamente a história de sua viagem à Antarctica e sobre sua infância infeliz e pais negligentes. Achei difícil gostar dos capítulos sobre a mãe dela, mas me apaixono cada vez mais pelo modo como Jenny Diski escreve. Profundas reflexões elaboradamente descritas numa linguagem refinadérrima. Quem me dera escrever assim! Agora eu simplesmente tenho que ler o outro livro de ensaios dela, "Stranger On A Train".


Livro do jornalista americano Bill Buford sobre as aventuras dele como aprendiz de cozinheiro do renomado chefe Mario Batali, em Nova York, e como aprendiz de açougueiro na Toscana (além de outras aventuras). Esse é um livro sobre paixões. Buford trabalhava, nada mais nada menos, como editor da "The New Yorker", mas resolveu deixar seu emprego quando a paixão pela comida tomou conta. São páginas e mais páginas sobre polenta, carne toscana e pra investigar quando ovos começaram a ser usados no preparo de massa fresca italiana. É fascinante (pra quem é aficionado). Não sou aficionada, mas gosto demais de como ele descreve sua paixão, de como ele vai fundo e acaba transformando sua vida. Muito legal.


Livro escrito por Wladyslaw Szpilman, músico judeu polonês que sobreviveu a segunda guerra mundial. Foi esse o livro em que o filme do mesmo nome se baseou. Vi o filme quando foi lançado e gostei muito, apesar da história terrível. O livro é ainda melhor - ou pior. Wladyslaw Szpilman escreveu o livro logo depois do final da guerra, em 1946, e parece totalmente intocado pelos horrores que passou e viu. A narração é seca, informativa, descritiva. Ele conta a morte de gente amada e não analisa nada. Com certeza por conta do choque. Devorei as 237 páginas. O livro tem também um diário do oficial alemão que ajudou Szpilman no final da guerra, mas que morreu nas mãos dos soldados russos. Impressionante. 






Gostei desse livro de pequenos artigos de Nora Ephron, jornalista, roteirista e diretora de cinema americana. Foi ela quem escreveu - e por vezes dirigiu - filmes que gosto muito, como "Sleepless in Seattle" e "When Harry met Sally". Os textos são sobre mulheres, envelhecimento, amor por pessoas (amigos e namorados) e por apartamentos, além do amor infinito dela por Nova York. Como passei uns tempos em Nova York estudando (dizer que morei lá é um pouco demais, mas a verdade foi que morei sim), sei bem do que Nora Ephron está falando. Se pude$$e, moraria lá o resto da minha vida. Com ataques terroristas e tudo. Ah, sim: o livro é bacana.

Livro de Lolly Winston, que é jornalista americana. Foi comprado no supermercado, na liquidação, pelo meu urso, quando eu estava em casa com dores e só podia ficar deitada, lendo. Comecei a ler sem esperar grandes coisas e adorei. Esse é um daqueles livros pra devorar em sala de espera de aeroporto, quando o avião está atrasado. Meio triste no início, mas bacana depois. Legal.

Mais um livro do cômico americano David Sedaris. Gostei menos desse, que encomendei junto com o primeiro aí de baixo. As histórias são engraçadas porém têm um tom mais confessional. O fato de tê-lo lido em poucos dias mostra que as histórias nesse livro, assim como no primeiro, são interessantes e bem escritas. Legal. (Mas se você tiver de escolher, escolha o "Me talk pretty one day").


Adorei esse livro de David Sedaris, americano maluco, que conta numa série de shortstories (poderiam ser posts de um blog, caso ele usasse um computador e não uma máquina de escrever IBM) pedaços de sua vida, histórias hilárias da família (principalmente do pai, do irmão e da irmã Amy), além de sua experiência em aprender francês. A luta dele com os genitivos feminino e masculino é de matar de rir, assim como o francês torpe de seus colegas de turma. Me diverti demais.







Li duas vezes seguidas o livro de Jenny Diski, jornalista britânica de quase 60 anos e que ganha a vida como repórter de turismo e escritora. E sei que daqui a um tempo provavelmente farei várias releituras. A prosa dela é tão suave, cheia de informação e humor que me deixa feliz e muito inspirada. Esse livro é composto por textos sobre três viagens da autora, durante as quais ela paradoxalmente buscava a solitude e a imobilidade. Parece deprê, mas não é não. Aliás, morri de rir com muitos trechos do livro, que mistura passagens da vida de Diski com viagens dela à Nova Zelândia, a um cottage no meio do campo inglês, onde ela morou sozinha por dois meses, e à Lapônia sueca. Diski é daquelas que começa a descrever o dia em que resolveu sair para dar uma caminhada (apesar de ser uma pessoa avessa a exatamente isso, se mover) e que na estrofe seguinte escreve sobre a vida, a morte, escritores, filosofia etc. Fascinante.






Finalmente li o best seller de Åsne Seierstad. Demorei porque tinha preconceito contra a autora. O problema é que vi uma entrevista dela num famoso programa norueguês de entrevistas literárias pela TV e notei um tom de desdém de Seierstad para com a família do tal do livreiro de Kabul. Achei aquilo meio que o fim da picada e decidi não ler o livro, que explodiu aqui também, assim como em todo mundo. Mas aí, ganhei o livro de presente da minha sogra no natal passado e, como não tinha pra ler por esses dias, dei uma chance. E gostei. Legal é que Seierstad "some" na narrativa; é como se ela observasse tudo de fora. Mas o melhor mesmo é quando ela escreve sobre as pessoas da família Khan. Cada uma com sua particularidade. Cada um mais assustador do que o outro. Ótimo.



O livro de Gudrun Abascal, parteira sueca com mais de 30 anos de experiência, é ótimo. Dá muitas dicas práticas pra quem está esperando um bebê aqui na Suécia. Descreve os procedimentos do pré e do pós-parto, discute as perguntas mais difíceis (angústia, medos, inseguranças) e traz, inclusive, relatos de homens e mulheres sobre suas experiências no nascimento de seus filhos. Adorei. Recomendo.







"Harper Lee was born in 1926 in Monroeville, Alabama, a village that is still her home. She attended local schools and the University of Alabama. Before she started writing she lived in New York, where she worked in the reservations department of an international airline. She has been awarded the Pulitzer Price, two honorary degrees and various other literary and library awards. Her chief interests apart from writing are nineteenth-century literature and eighteenth-century music, watching politicians and cats, travelling and being alone."




Devorei o livro de Sarah Turnbull. Bem escrito, interessante, leve, informativo e com muitas histórias engraçadas. Achei bacana descobrir, entre outras coisas, que minha viagem em encontrar meu lugar num país estranho é dividida por muitas pessoas que fizeram os mesmos tipos de escolhas que eu. E que encontraram mais ou menos as mesmas dificuldades que eu. Constatei ainda, que a Suécia é um paraíso se comparado com o mundo parisiense ultra-disciplinado. Nada como um pouco de perspectiva para dar nova energia ao ano novo que se anuncia. Senti falta, no entanto, de ler mais sobre os conflitos internos da escritora. Achei essa parte um pouco leve demais. Se bem que tenho a impressão de que um livro, para fazer jus à história, não precisa ser necessariamente pesado, cheio de elucubrações.


Meu deus, que chatice esse livro da Joyce Carol Oates. Está tudo lá, a fórmula de sempre: uma heroína/protagonista magricela, neurótica, capaz de se alienar completamente dos terrores de sua vida e sempre mantendo as aparências. Em outros livros, eu até que gostei. Mas, esse aqui foi difícil de aguentar. Gosto da maneira quase maníaca dela descrever a vida e os pensamentos dos personagens. Mas sinto que às vezes fica tudo too much. Li tudinho, até o meio. Aí comecei a pular. Primeiro palavras, depois frases, parágrafos, páginas e por fim, capítulos. Horrível.










O romance de Astrid Trotzig é assustador. Conta a história de um rapaz envolvido com o movimento neo-nazista sueco. Trotzig escreve sobre ódio, desespero, solidão e (falta de) amor. Paralela à história principal, conta-se a história da mãe dele, vinda da Finlândia durante a Segunda Guerra Mundial, quando milhares de crianças finlandesas foram mandadas pra famílias adotivas suecas para evitar as bombas russas. Algumas voltaram pros pais depois de 1945, outras nunca mais sairam daqui. Livraço. Espetacular. 



O livro de Faïza Guène conta a história de Doria, uma menina de 15 anos que vive com a mãe num apartamento em um banlieu parisiense. O pai abandonou a família porque Doria era a única filha e... não era do sexo masculino. A linguagem é extremamente fácil e rápida. Às vezes ficava até irritada como coisas interessantes da trama que eram meio que deixadas pra trás, sem muita consideração. Um choque, depois de ler o cuidadíssimo "On Beauty".





Gostei desse romance policial de Dennis Lehane, que está se transformando num favorito. O primeiro dele que li foi "Shutter Island", que é chamado "Patient 67" aqui na Suécia. Esse "Gone, Baby, Gone" conta a história do desaparecimento de uma criança. Os detetives Patrik Kenzie e Angela Gennaro seguem as pistas até descobrir tudo. Bacana. Compramos esse aqui na Livraria da Travessa de Ipanema. :c)















O livro da alemã Karen Duve é gostoso de se ler porque conta uma história não muito diferente da minha, só que, claro, muitíssimo mais trágica. (Ainda bem) Por vezes chega a ser triste, mas na maioria das vezes é engraçado. Não posso escrever mais sobre Ann, a protagonista, sem misturar minha vida na trama, o que seria um erro. Então, paro por aqui. Bacana.


O primeiro e único livro do jornalista Caco Barcellos que li. A história, interessante ainda que terrível, é sobre Juliano (ou Marcinho) VP, um dos traficantes mais perigosos do Rio e sua quadrilha. Muita violência, muita brutalidade, muita injustiça. As entranhas do Rio expostas. O que não gostei foi do estilo do jornalista, que escreve como um... jornalista. O texto é direto no ponto, sem firulas, sequíssimo, mas pouco inspirado. Me vi imaginando o Caco Barcellos narrando partes do livro em uma matéria de TV com sua voz monótona. Mas o livro é sem dúvida interessante. Presente da Grace.

Liiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnddddddddddoooooooooo. Ai. Adorei o best seller de Nicole Krauss, americana no Brooklyn. A história tem dois narradores (no início) depois mais dois entram em cena. As narrativas têm estilos diferentes e quando você acha que a história está ficando meio complicada, que você está perdendo o fio da meada, você é conduzida novamente ao centro da narrativa. E aí, tudo o que resta é apreciar a solidão e o amor de duas pessoas. Liiiindo!



O segundo livro da série de Alexander McCall Smith sobre Mma Ramotswe é pretty much como o primeiro: você sabe que ninguém vai se ferir ou se dar mal (a não ser os personagens ruins que merecem sofrer, claro). É uma leitura segura, sem qualquer angústia. Você sabe que Mma Ramotswe vai se sair bem, que ela terá intuições que salvarão o caso em que está trabalhando e que ela, no final, fará alguém feliz com o que descobriu. “Giraffens tårar”, não é nada maravilhoso, mas também não é ruim. Leitura pra quem não quer sentir nada além do prazer de ler.

O livro de Hanne Kjöller är, na verdade, uma reportagem reforçada sobre a operação de gastric bypass, que se mostra uma saída cada vez mais possível pra quem tem um BMI acima de 40. Ela explica todos os detalhes dos diferentes tipos de operações, conta sua própria experiência de operada, entrevista outras pessoas com experiências muito positivas e mostra dados científicos que confirmam: a operação é a única saída para quem não consegue emagracer nem manter seu peso. Bom mesmo. Devorei (o livro). Hohoho.





Adorei esse livro de Amos Oz, cujo título original é "Tale Of Love And Darkness". É uma espécie de autobiografia do escritor israelense, que é uma presença constante na lista dos possíveis premiados pelo prêmio Nobel de literatura. Na verdade, de autobiografia esse livro de muito pouco. É mais a história dos antepassados do escritor, as histórias paralelas, bisavós, avós, e, claro, pais. Não conto nada porque o livro é emocionante. O interessante é que a história da infância de Amos Oz é paralela ao nascimento do estado israelense. E, sendo Amos Oz uma voz equilibrada, ganha-se momentos de reflexão lindos de um israelense plenamente consciente da necessidade da paz mútua entre dois povos imersos em guerra.



Gostei do primeiro livro da série escrita por Alexander McCall Smith sobre a detetive Mma Ramotswe de Botswana. O livro, no original "No.1 Ladies' Detective Agency" apresenta a protagonista e seu espírito aberto apesar de muitas tragédias duríssimas em sua vida. Mas o que mais gostei é de saber que a trama vai ter um happy end. Esse não é um livro pra quem busca um thriller, mas pra quem quer ler sobre pessoas simples e felizes debaixo das cobertas num domingo chuvoso de inverno. Esperava mais da trama, que achei um pouco frouxa demais, mas gostei do livro exatamente por ser um exercício sobre a satisfação de se fazer o que se ama.


A escritora americana-mexicana Sandra Cisneros faz uma saga familiar, no melhor estilo latino-americano. O livro conta a vida da pequena Celaya, que cresce entre o México de seus pais e avós e os EUA, onde nasceu. Ela adora escutar ás histórias da avó paterna, que ela meio que odeia e meio que ama. Bacana. 


O primeiro livro de Michael Crichton que li. Confesso que tinha preconceito com o autor, nem sei ao certo porque. Mas o livro é bom: a história gira em torno de uma família que vive no Silicon Valley e que acaba envolvida nos planos de uma empresa que criou nano-câmeras, mínimas, que funcionam como uma nuvem de inteligência distribuida. O resultado, claro, acaba sendo terrível. Ciência, tecnologia, biologia, ambição. Legal.

O livro de Edvard Unsgaard, "Mijailovic - a história de um assassino" é um livro sobre o homem que matou há dois anos a ministra do exterior da Suécia, Anna Lindh. Além de descrever como foi a infância e a adolescência do assassino, Mijailo Mijailovic, Unsgaard conta como a polícia conseguiu prendê-lo, dias depois do ataque, ocorrido num shopping de luxo em Estocolmo. Interessante, porém trágico. 


O título do livro da argentino-sueca Ana Martinez pode ser traduzido como "Não muito distante do Rio de la Plata - a integração como arte e suplício". Ela já mora aqui há mais de 30 anos e escreve sobre os problemas que enfrentou, os que deixou de enfrentar por sorte, e os que seus amigos imigrantes mais recentes estão enfrentando. Gostei muito do seu jeito borbulhante de escrever, que ela batizou de "temperamento-tango". Os capítulos que comentam as dificuldades da integração de uma pessoa sofisticada numa Suécia provinciana (mas que pensa que é sofisticada) são recheados de histórias engraçadas e, por vezes, tristemente verdadeiras e próximas. Fiquei triste quando acabei de ler o livro. Não porque havia terminado, mas porque tudo o que Ana Martinez escreveu, apesar de ter sido apresentado com uma linguagem coloridíssima e engraçada, é a mais pura e cruel verdade.


Eu, definitivamente, não ando com sorte. Esse livro de Daniel Sjölin é mais um daqueles que não gostei nada. "Pronomes pessoais" conta a história de uma família da classe alta sueca. A mãe é tratada como "ela", o pai como "nós", a filha como "você" e o filho como "eu". É uma confusão danada. Os textos narrados pelas quatro pessoas se entrelaçam, no que, compreendo agora, deve ser uma espécie de prosa sueca moderna. SOCORRO!!!!!!!! O que aconteceu com as narrativas lineares? Será que tudo hoje em dia tem que ser diferente (leia-se sem pé nem cabeça) para sobressair? Cruz credo. (Pelo menos esse aqui eu não comprei, mas peguei emprestado na biblioteca da universidade)
O-D-I-E-I esse livro de Lena Andersson. Comecei a ler e já desgostei, mas continuei porque não gosto de desistir de coisas assim, logo de início, mas foi impossível gostar. Para não dizer que não li, fui pulando apenas as partes mais chatas. Pulei, pulei, pulei. Até que cheguei ao final do livro e não tinha mais nada pra pular. Não compre esse livro! Péssimo! (Isso é pra eu aprender a não comprar livros por impulso no supermercado quando estou com fome!)
"Cries Unheard" é o segundo livro da jornalista Gitta Sereny sobre Mary Bell, uma menina que em 1968, aos 11 anos, matou dois meninos pequenos. O livro é uma longa entrevista com uma Mary já crescida, fora da cadeia, e com uma filha. Horrível ler sobre as crueldades que a mãe submeteu Mary durante toda sua vida. Leio e imagino que vida pavorosa. Que miséria, que falta de amor, que falta de qualquer noção de ética e carinho. Bom, mas muito longo e repetitivo. Merecia uma boa editada.


Gostei muito do livro das irmãs Anna e Jane Campion. Em capítulos alternados ficamos sabendo da história pela boca de Ruth, a jovem perdida nas mãos de um guru indiano, e JP, o ex-seguidor de guru que faz desprogramação de jovens ricos. Gostei muito do erotismo de Ruth e JP, da necessidade humana de se sentir amado. No entanto, senti falta de uma maior profundidade na discussão entre desprogramador e desprogramado. Imagino como esse livro, essa idéia, não teria sido melhor explorada nas mãos de um escritor como o Ian McEwan. Gostei também que, no final, tudo acaba bem. Vou ver o filme só por causa do Harvey Keitel :c))).


O ministério de saúde mental adverte: Rosamunde Pilcher faz mal à saúde. Nossasenhoradaparecida, que livro mais CHAAAAAAAAAAAAAAAAATO. Das mais de 500 páginas não consegui passar da de número 94, e isso porque sou insistente. Não sei nem o que dizer, a não ser que esse livro é uma versão "nobre" dos romances Julia de banca de jornal, os quais, aliás, eu prefiro a isso aqui. Blé.
Esse foi meu primeiro Ian McEwan e, com certeza, não será o último. O título original, em inglês, é "Enduring Love" e é bem melhor do que o sueco, "O ódio do amor". Joe e Clarissa se amam, até um dia que um evento trágico muda completamente suas vidas. Os ingredientes dessa história são obsessão, desconfiança, amor e loucura. Mas, o que mais me impressionou é que durante o livro inteirinho não se sabe quem é o doido da história, tudo graças ao estilo do autor. Uma frase muda tudo, ou dá uma pista da verdade - ou da mentira fantasiada de verdade. Quem me dera poder escrever como Ian McEwan. Livraço.



Fernando Morais conseguiu me conquistar dessa vez. "Olga", um livro bem mais enxuto que "Chatô", é um verdadeiro page turner. Durante todo o livro fiquei pensando: onde estava eu quando meu professor de história explicou sobre a Coluna Prestes? Qual a aula que eu perdi em que se falou da entrega de judeus e estrangeiros à Alemanha nazista durante a ditadura de Vargas? E olha que sempre me considerei muito boa em história, hein? Me lembro de infindáveis aulas sobre as revoluções européias (francesa, industrial e russa), mas no que diz respeito a esse capítulo essencial da história do Brasil, não me recordo de muito não. Será que é porque estudei num colégio de padres (essencialmente tradicional) durante os anos 80 (quando a abertura ainda era mínima)? Provavelmente. Nota mental: perguntar meu irmão se ele já aprendeu alguma coisa sobre essa parte da história do Brasil. Muito bom. Presente da Karenin.



Li "O que é EU", de Birger Möller para o curso de ciências políticas na universidade e gostei muito. A linguagem é fácil, dinâmica (uma raridade em se tratando de livros didáticos) e muito informativa. Aprendi sobre o nascimento da União Européia, seus órgãos e como toda a parafernália burocrática européia se organiza. Impressionante é que o autor consegue escrever sobre burocracia de forma divertida.


Já tinha lido a respeito da autora desse livro como sendo uma representante de destaque da literatura de Norrland, a região norte da Suécia, onde moro. Åsa Larsson escreveu um pequeno romance policial/de suspense, que inclui dias sem sol em Kiruna, metros e mais metros de neve, fanáticos religiosos e assassinatos. Interessante, mas não consegui ficar completamente entregue. Gostei, mas apenas um pouco. O título pode ser traduzido como "tempestade solar" (o que não deixa de ser uma ironia, porque em Kiruna, no extremíssimo norte sueco, o sol não nasce durante o inverno).

O livro de Louise Boije af Gennäs é legalzinho. Conta a história de Sophie, escritora da classe alta sueca, casada com Lukas, sem filhos. A vida é dourada: muitos "amigos", casarão, coquetéis, dinheiro. Até que um dia, durante um debate na TV sobre feminismo, Sophie conhece Kaja (fala-se kaia), proletária feminista radical. As duas se apaixonam. Guerra de classes na socialista Suécia. Alguns momentos do texto são bem legais, a discussão do lesbianismo/homossexualismo ainda como uma ameaça etc. Mas, lá pela página 300, cansa. Não que não goste do estilo da escritora, que se amarra em analisar (de forma até interessante) os sentimentos contraditórios de Sophie, mas é que no final deu a sensação de estar lendo uma versão ultra-radical de um romance "Julia", vendido nas bancas de jornais do Rio. Assim, assim.
O livro escrito pelo palestino Bassam Abu-Sharif e pelo israelense Uzi Mahnaimi é muito interessante. O título em sueco é "meu inimigo, meu amigo" e espelha como o livro foi escrito: histórias paralelas dos autores, que contam do seu ponto de vista os acontecimentos no turbulento conflito entre Israel e todos os seus vizinhos árabes - através dos séculos. Apesar de ser meio antigo (a edição é de 95, quando o Arafat ainda estava vivo), uma das coisas que mais gosto nesse livro é que tanto o palestino quanto o israelense se dão conta de que a situação do jeito que está é impossível. Paz não se faz com ódio mútuo. (Os textos do palestino têm um apelo especial, algo no estilo, que me seduz. Imagino se não é uma coisa da narrativa árabe. Muuuuito legal. A capa ao lado é da edição americana).

Comecei a ler o livro de Arundhati Roy esperando encontrar uma versão indo-britânica da Isabel Allende; uma contadora de histórias envolvente e fluída. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com o estilo caracolístico da autora. Explico: ela escreve maravilhosamente bem, porém sem qualquer respeito por linha de tempo ou de acontecimentos. Parece que tudo acontece ao mesmo tempo, a vida de seus protagonistas quando eram criancas se passa paralelamente à vida adulta. Tudo parece acontecer simultaneamente (com muuuitos adjetivos em todas as frases), o que pode representar dificuldades pra quem se acostumou a narrativas mais linerares e diretas. É preciso aprender a gostar da linguagem multicolorida e aparentemente desordenada de Roy, seguir em frente com fé, sacolejar na estrada sem perder a confianca, porque no final (no meio, no início?) tudo faz sentido. E aí, você percebe a história incrivelmente triste que acabou de ler.


O livro de Marjaneh Bakhtiari é delicioso. Conta a história da família Irandoust, que imigrou do Irã para a Suécia. O pai, poeta e filósofo, vira dono de pizzaria e motorista de taxi. A mãe, física nuclear, cuida de crianças em creches (mais de uma). Os filhos do casal, Bahar (menina) e Shervin (menino) falam sueco com sotaque da região de Skåne - o que fica claro na grafia dos diálogos (uma delícia). Aprendi muito com esse livro. Aprendi a importância de fazer diferença entre ser tolerada e bem-vinda, além da necessidade dos outros em te atribuir características nem sempre corretas, apenas por você ser "diferente". Suécia, ôôô lugarzinho complicado, sô.



Lars-Göran Selander descreve como se recuperou de sua doença mental. Li para o curso de psiquiatria da universidade. Teremos que discutir o livro num seminário valendo nota. Gostei muito do livro, que é daqueles confessionais. Uma hora lá, quando Selander descreve a morte da mãe (o início de seus problemas mentais), chorei pra caramba. É interessante ler sobre a volta à vida "normal" de uma pessoa com dificuldades mentais (emocionais etc). Interessante para mim, como "nova-sueca", é reparar como o seguro social cobre, pelo menos no caso de Selander, psicoterapia durante 14 anos. Isso sim é que é Primeiro Mundo.


Mais um da série de livros de Patricia Cornwell sobre a médica toda-poderosa Kay Scarpetta. Descobri a Patricia Cornwell por um acaso: havia comprado um livro na Amazon e um exemplar de um dos livros dela veio junto. Não me lembro de ter encomendado ou sequer de ter pago o livro, que simplesmente apareceu lá em casa. Mas gostei muito do que li. Já li quase todos os livros dela, como "Postmortem", "Point of Origin", "All that remains", "The Body Farm" etc. Nesse "Trace" acompanhamos duas histórias paralelas: uma com Scarpetta e o meu querido detetive Marino e outra com a Lucy, sobrinha de Kay. Uma coisa acho engraçada: parece que os escritores muito bem-sucedidos resolvem, depois de muitos livros com o mesmo personagem, criar outros personagens novos, para variar a intriga. Eu gosto muito da Kay Scarpetta, mas não sou muito fã da sobrinha. So so.

Devorei esse do Zuenir Ventura, que ganhei de presente de aniversário do meu pai. O jornalista conta de suas experiências no Brasil dos anos 50 aos dias atuais, fazendo referência a apenas alguns pontos chaves da história, que ele, Zuenir, teve experiência de primeira-mão. Estão lá relatos sobre Glauber Rocha, a distenção da ditadura e a tanga do Gabeira, o suicídio do Pedro Nava, os problemas de Zuenir com seus gravadores e, por fim, capítulos interessantérrimos sobre João Moreira Salles e Marcinho VP e ainda Genésio, a testemunha do assassinato de Chico Mendes que acabou sendo "adotado" pela família Ventura. Muito legal!!!!!



J.K. Rowling se superou dessa vez. A-D-O-R-E-I esse sexto livro, onde Harry, Ron e Hermione já têm 16 para 17 anos. Entre outras coisas, vemos muito mais Dumbledore nesse aqui. Não vou contar nada que é pra não estragar a experiência de quem ainda não leu, mas achei realmente esse aqui um dos melhores livros da série. Terminei de ler ontem à tarde e fiquei imaginando como vai ser legal ler o livro seguinte. O único problema é que será o último... :c(



Me deliciei com as aventuras de Emélie Nothomb na empresa japonesa Yumimoto. Como um samurai diminuto, ela se ocupava em virar as páginas dos calendários de toda a empresa, contemplava o nada, servia café e chá, distribuia cartas, "ajudava" o departamento de contabilidade, fazia relatórios sobre o consumo de manteiga na Bélgica, admirava a beleza de sua chefe direta, Fubuki Mori, trocava papel higiênico nos banheiros da companhia e era continuamente humilhada por chefes e chefes dos chefes. O livro é um barato. O mais legal é que Nothomb consegue fazer um divertidíssimo tratado sobre a sociedade japonesa, especialmente as mulheres nipônicas. Recomendo! Presente da Tetê.


Fernando Morais escreve uma senhora biografia sobre um dos homens mais poderosos da história brasileira. Fascinante ler como um menino mirrado e gago, se transforma num monstro poderoso, dono do maior conglomerado de veículos de comunicação do Brasil. Ao mesmo tempo em que é fascinante, é triste ver a falta de ética de Assis Chateaubriand e seu mais do que descarado envolvimento com o poder em várias décadas. Fica evidente que Fernando Morais acha todos os "causos" envolvendo Chateaubriand interessantíssimos, porque ele conta todos. Lá pelo final do livro, eu já estava meio de saco cheio. Mas, é um documento competente e divertido, apesar de longo. Presente da Karenin.


Mark Haddon escreveu esse livro, que é um dos melhores que li nos últimos tempos. Acompanhamos Christopher Boone, de 15 anos e Asperges (uma forma de autismo). Ele detesta ser tocado e precisa se lembrar como são faces felizes e tristes. Quando o mundo fica muito confuso, ele pensa em problemas matemáticos, para ficar calmo. Ele ama padrões, ritmo e fala sempre a verdade. O livro é delicadíssimo.



Lucinha Araújo e Regina Echeverria escrevem um livro muito pessoal, sem qualquer problema em criticar quem "ousou" não ajudar Cazuza em sua fase doente. Li o livro inteiro em um dia, numa urgência de saber como Lucinha Araújo passou pela loucura de perder seu filho único para a AIDS. Eu já sabia o resultado, mas ainda assim li o livro à jato, impulsionada pela história escrita urgentemente - tão urgente quanto a vida que Cazuza viveu. Tudo tinha que ser o mais intenso possível, o mais desafiador, o mais transgressor. Presente da Grace.

Fiquei totalmente envolvida na leitura de Utvandrarna ("Os emigrantes"), de Vilhelm Moberg, um dos clássicos obrigatórios suecos. O livro, escrito em 1949, é a primeira parte de uma trilogia que se completa com Invandrarna ("Os imigrantes"), escrito em 1952, e Nybyggarna (algo como "Os pioneiros"), de 1956. Moberg escreveu ainda um quarto livro, que é também visto como parte da trilogia, chamado Sista brevet till Sverige ("A última carta à Suécia"), de 1959.


Esse livro, cujo título poderia ser traduzido como "Um outro tempo, uma outra vida", é de Leif GW Persson. O autor é professor de criminologia, superrespeitado no meio policial e é até uma personalidade da TV. Ele faz parte do programa "Efterlyst", que caça ladrões e gente ruim de todos os tipos com a ajuda das pistas dos telespectadores. O livro é bacana, mas sem muitas surpresas. Persson já ganhou um monte de prêmios por seus livros.

A Suécia tem tradição de criar bons escritores de livros policiais, com misteriosas mortes e plots complicados. Håkan Nesser é um deles. E, acho, um dos melhores. Ele e Henning Mankell são meus preferidos. Nesse livro aqui, cujo título é "O caso G", o investigador Van Veeteren investiga seu último caso: a morte de Barbara Clarissa Hennan. No meio do livro, Van Veeteren, que atua numa cidade holandesa fictícia, recebe um telefonema de um certo inspetor sueco Kurt Wallander, mas não retorna a ligação. :c)


Monica Ali escreveu um livro bacanérrimo. Interessante, ainda mais nesses tempos de terror em Londres, complicado, humano. Nazneen, de Bangladesh, vem morar num subúrbio londrino casada com um homem eternamente frustrado (porque constantemente iludido). É tocante perceber que o desejo constante de "voltar pra casa" é universal, não apenas meu. Bom, voltando ao livro: Nazneen acaba crescendo como mulher, mãe e gente durante o livro. Bem legal, porém um pouco longo.

Toby Young, jornalista britânico, quer fazer sucesso. Quer ser convidado pras festas dos finos e famosos, quer tomar champagne e comer caviar, quer namorar atrizes e modelos. E, no caminho para realizar seu sonho, vai fazendo e desfazendo amizades, contando mentiras desvairadas, fingindo ser quem não é e endurecendo ainda mais sua cara-de-pau. Ainda não sei se gostei ou não desse livro. Tento não julgá-lo contra meus valores morais, porque não gosto muito de cinismo exagerado. Se desconsiderar isso, o livro é engraçado. Se considerar isso, o livro é patético.
A vida de Marilyn Monroe é um tema particularmente interessante para escritoras como Joyce Carol Oates, que é meio "enlouquecida". Todos os livros dela que li até hoje (não muitos, admito, mas ainda assim) me parecem um tanto quanto obcecados. O que, na verdade, é um ótimo sinal. Cada vez que pego um livro de Oates pra ler eu sei que vou entrar num outro universo, numa prosa vertiginosa, o que não é nada mau. Esse daqui, no entanto, é um pouco longo demais. A obcessão de Oates é legal, mas a minha não é suficiente. Bacana mas cansativo.

Mais um livro da jornalista Katarina Wennstam, que escreveu "Flickan och Skulden", lido em setembro de 2004. Esse daqui, cujo título traduzido é "Um estuprador de verdade", é a continuação do primeiro livro. Katarina Wennstam entrevista dessa vez apenas os rapazes acusados de cometer violência sexual. Nesse segundo livro, Wennstam continua a discussão é inclui a visão de como a sociedade reforça a idéia de que certas mulheres simplesmente não podem ser violentadas porque elas "pedem" um tratamento violento, através de seu comportamento pouco casto.



Antologia de textos de mulheres nascidas nas décadas de 70 e 80 e que escolheram ter tudo: filhos e carreira. Como é que elas agüentam? Foi com essa pergunta em mente que comprei o livro. Mas, me desanimei lá pelo meio, com a quantidade de textos sobre chupetas e fraldas, tosses e espirros, barrigas e bundas. Tudo num tom meio engraçadinho, pra deixar a leitura mais leve. You don't have to be funny ALL the time to make it work, you know?
Hanne-Vibeke Holst e sua "Princesa coroada", não me conquistaram. O livro é sobre a ascenção ao poder de Charlotte Damgaard, ativista ecológica que vira ministra do meio-ambiante da Dinamarca. Fraquinho, meio chato, e, como sempre em se tratando de Hanne-Vibeke Holst, loooooooongo.
O primeiro da Joyce Carol Oates que li desde que escutei a novela "Foxfire" no rádio. Nesse "I will take you there", Oates entra na pele de Anellia, uma menina que sai da pequiníssima cidade de Strykesville e do seio de sua horrível família, para o mundo da universidade-na-cidade-grande. Mais do que tudo na vida, ela quer pertecer a um grupo. Ela é aceita por uma fraternity, mas fica cada vez mais maluca. Aí, no final das contas, acaba se enamorando por um estudante negro. Ah, detalhe: a história se passa nos EUA dos anos 60. A-d-o-r-o Joyce Carol Oates. Com todas as maluquices e obcessões.



Um dos melhores livros policiais que li na minha vida. A história acontece na chamada Shutter Island, que é, aliás, o título da edição original, em inglês. A ilha é o lugar de um hospital para doentes mentais perigosíssimos e funciona como prisão muito bem guardada. Agora um dos internos conseguiu escapar e o detetive Teddy Daniels é chamado para investigar... ou, será que foi mesmo? Espetacular. Surpresas do nível do "Sixth Sense" de M. Night Shyamalan (mas sem nada a ver com espíritos).



E vamo que vamo com mais um do John Grisham. Uma viúva jovem, porém não tão alegre, é violentada e morta por um dos membros da infame família Padgitt. Típicos white trash americanos. O julgamento (sim, tem julgamento também...) de Danny Padgitt termina, mas o terror só iria terminar muitos anos depois. O protagonista desse não é um advogado, mas um jornalista, Willie Traynor, que vem para a já familiar Clanton, Mississippi tentar a sorte como repórter local e acaba dono de um jornal. Bem bacana.

Você já se sentiu em estranho descompasso com o que a sociedade em geral pensa de você? Com o valores expressos por todos? Já sentiu uma angústia de não estar à altura de seus amigos (geralmente por sentir inveja), de seu namorado (por ciúme), de seu trabalho (por duvidar de sua competência)? Perdeu noites de sono tentando descobrir o motivo de não ser tão amiga daquela pessoa importante e/ou popular? Se você respondeu sim a uma dessas indagações, então você sofre do que o filósofo e escritor Alain de Botton descreve como "estresse de estatus". Muito informativo.


Esse livro, de Lars Svedberg, é sobre pessoas que não conseguiram viver dentro do chamado stablishment. Isso porque bebem demais, roubam, tomam drogas e se comportam de forma não aceitável na socidade atual. O livro foi lido como parte do curso de política social da universidade. Foi interessante tomar contato com os "fracassados" daqui. Diferentemente de quem vive à margem no Brasil, os marginais daqui sempre tiveram oportunidades de melhorar, mas nunca conseguiram, por uma razão ou outra. Bem legal.

Comprei esse aqui porque havia gostado muito do outro livro da Katarina Mazetti, mas me decepcionei. História solta, sem pé nem cabeça. Só gosto da construção da personagem central, uma mãe solteira, lutando pra criar dois filhos sozinhos. Apesar do trabalho, ela tem dificuldades para colocar comida na mesa. E, olha, isso se passa na Suécia, hein?
Livro composto com as cartas enviadas a Isabel Allende depois que ela publicou o livro "Paula", que também li mas não me lembro mais quando. Esse "Cartas..." é lindo. Primeiro porque é feito inteiramente com cartas de pessoas que se comoveram com a história da filha da autora, que morreu muito jovem. E segundo porque as histórias das pessoas, nas cartas, são tão delicadas quanto o próprio livro. Me emocionei muito. Presente da Julia.

Tracy Chevalier romantiza a vida da mocinha pintada por Vermeer em um de seus quadros mais famosos - e bonitos - "Girl With A Pearl Earring". Griet, filha do criador de azuleijos da pequena cidade de Delft, na Holanda do século XVII, se torna empregada na casa do pintor, onde de ajudante vira objeto de desejo. Bacana, ainda mais quando Chevalier conta os métodos de pintura daquela época. Vi uma entrevista dela na TV e fiquei encantada com o conhecimento dela sobre a técnica de mestres como Vermeer. Legal. Presente da Marcinha.

O título traduzido do livro de Gurli Fyhr é "Como se lida com pessoas em luto". O luto ao qual a escritora se refere não é apenas aquele que sentimos quando perdemos uma pessoa amada para a morte, mas pode siginificar qualquer tipo de perda, uma doença, o fim de um casamento, até mesmo a perda de raízes, de seu país. O livro não é pesado, até porque a intenção da autora é dar dicas de como fazer pra não atrapalhar o processo de luto das pessoas. Muito interessante. Lido para o curso de psicologia.


Mais um da Isabel Allende que eu adorei. Não foi a mesma paixão da "Casa dos Espíritos", mas ainda assim. Allende é Allende e estamos conversados. O que eu gosto nesse é que acompanhamos a heroína em aventuras inacreditáveis e tudo fica muito plausível com a prosa da autora. Eu recomendo esse aqui a todo mundo que goste de se envolver num livro. Não dá pra ler Isabel Allende à distância. Li também "De Amor e de Sombras", que foi presente da Julia, mas não me lembro quando foi. É também ótimo.


O argentino Pablo de Santis escreve tão bem que é uma delícia ler esse livro, apesar de sua natureza meio rocambolesca. São tantos detalhes, tantas sutilezas e coisas estranhas que fica difícil enumerar aqui sem contar todo o enredo. No meio de calígrafos, corações de mestres famosos e muito mistério, você se depara com algo assim:"O silêncio de Darel construía uma muralha de cristal ao seu redor. Tenho ouvido dizer que a atenção é uma forma de reza; se for mesmo assim, aquele homem orava.":c) Presente da Julia.


Livro de poemas de Carpinejar. Sinceramente, não sei escrever sobre poesia. Hummm, humm, Freud explica direitinho. Mas, aqui vai um dos meus preferidos: "A honestidade é antipática.Presente da Julia.
As pessoas que são justas,
discretas, comportadas,
netos no colo, casos arquivados,
não rendem literatura.
A impureza emociona."


Mais um da Lya Luft. Um livro de crônicas, com alguns dos temas que a escritora levantou no "Perdas e Ganhos". Gosto particularmente da crônica de número 34, chamada "Anistia". Nela, Lya Luft escreve sobre o encontro de mulheres mais velhas, que se reúnem pra falar da vida, de envelhecer etc. Até que alguém sugere que elas falem de raiva. "Como nos permitir raiva das pessoas que amamos?" Aha. Presente da mamãe.


Nunca tinha ouvido falar desse livro, nem do autor, Ira Levin, até que o filme "Stepford Wives" foi lançado. Não vi o filme, mas fiquei intrigada com o enredo. Mulheres perfeitas robôs? Não, mulheres comuns transformadas em robôs perfeitos? Tudo isso debaixo do tapete e das aparências de uma aparentemente idílica cidade americana? Bom, eu tinha que conferir de alguma forma. E devorei esse livro em duas horas. Ótimo. Presente da Julia.


Karin Alvtegen escreve um livro interessantíssimo, cheio de sofisticados twists na trama. É um livro de crime, de morte, de desafeto, de traição, como diz o título. Eva e Henrik caminham a passos certos para um divórcio doloroso. Jonas é obcecado. Não posso contar muito mais que é pra não acabar com o mistério, um dos pontos fortes do livro. Sei que Karin Alvtegen teve um livro traduzido pro português. Não é esse, mas ela é fera, de forma que deve ser tão bom quanto.


O livro conta a história de Amir e Hassan, dois amigos inseparáveis que cresceram nos anos 70 em um Afeganistão ainda não brutalizado pela invasão russa do início dos anos 80, ou pela tomada do poder pelos duríssimos Talibãs e depois pela invasão americana após o ataque terrorista. O autor, Khaled Hosseini, fugiu com sua família para os EUA em 1980, onde conseguiu asilo e se formou como médico. Livro interessante, duro, real. 

Helene Hanff consegue me divertir e me emocionar com suas cartas maravilhosamente criativas e tocantes. A conheci no cinema, com a versão fidelíssima feita por Ann Bancroft e nunca mais parei de apreciá-la. Mas, incrivelmente, nunca tinha lido seus livros. O primeiro foi esse, como tinha que ser. Me deliciei da primeira à última página, mesmo já sabendo do conteúdo da maioria (o filme é muito fiel mesmo). Esse livro é pra quem gosta de cartas, de detalhes, de sensações delicadas e, claro, de humor. Ma-ra-vi-lho-so.



Lya Luft escreve com raiva. Eu leio os textos dela e a imagino totalmente envolvida, dedicada e concentrada a dizer o que pensa sobre seus temas. Parece que ela tem uma idéia, senta na cadeira e escreve de uma vez só. Um fluxo de criatividade, de idéias, de opiniões. Parece, sinceramente, que essa senhora está é escrevendo um blog, botando pra fora, refletindo, deixando as idéias correrem pra fora de sua cabeça. Quando crescer, quero escrever como ela. :c) Presente da minha mãe.



A jornalista Katarina Wennstam escreve um livro eletrizante sobre casos de violência sexual contra meninas na Suécia, tendo como base os casos jurídicos contra os culpados. Mas, na verdade, estranhamente, a questão da culpa é que é interessante - como aliás, fica claro no título do livro, "A menina e a culpa". 



O jornalista alemão Günter Wallraff conta suas experiências disfarçado como trabalhador turco em uma Alemanha muitíssimo preconceituosa e onde trabalho desumano é coisa cotidiana pra imigrantes. Publicado pela primeira vez em 1985, o livro, cujo título original é "Ganz Unten", ganhou sucessivas reedições, também aqui na Suécia. Aqui, inclusive, pesquisar undercover assim como o alemão fez virou uma mania, batizada com o sobrenome dele. Os suecos passaram, então, "att wallraffa". Livro muito interessante, fora as longas partes que discutem a situação alemã da segunda metade dos anos 80. Aí, fica tudo muito datado. De resto, uma obra atualíssima. Infelizmente.

Dan Brown e seu best seller mundial. Sim, li e... detestei. Nunca vi tantos clichês juntos na minha vida (well, já sim, mas deixa pra lá). Vai ver que não gostei porque adoro "simpatizar" com os personagens de um livro. E não dá pra gostar do carinha nem da mocinha criados por Brown. Penso, por exemplo, em Adam Dalgliesh (P.D James), em Kurt Wallander (Henning Mankell), ou ainda no meu querido Holden Caufield (J.D Salinger), esses sim é que são personagens de verdade! (Mesmo sendo de mentira) :c) Esse Dan Brown tem boas idéias no que diz respeito a intrigas, mas simplesmente não sabe aprofundar o caráter de sua criação. Fica assim, tudo ligeirinho, ritmo hollywood, de plástico, botox e silicone. Blé.
Sven Lindqvist é um dos escritores mais respeitados na Suécia (e fora dela) sobre questões históricas-raciais. Fiquei sabendo dele por intermédio de outros livros e esse "Extermine todos os desgraçados" é uma das obras que mais causou polêmica, quando foi lançado aqui nos anos 90. A Suécia passava, então, por uma das crises sociais mais sérias de sua história, alimentada também por uma crise econômica sem paralelo. O título, inspirado pelo clássico "Heart of Darkness", de Joseph Conrad, é um resumo da idéia dos povos colonizadores de todos os tempos. Lindqvist também é jornalista, o que faz os livros dele ainda mais legais de ler.


Sempre é bom entender os nossos processos internos, capazes de nos levar a acreditar em certas idéias bobas, burras, sem cabimento ou completamente loucas. É isso que o psiquiatra Tomas Böhm faz nesse "Não como nós! Aspectos psicológicos de xenofobia e racismo". Ele descreve psicologicamente como a xenofobia se instala na nossa vida."Quando mostro minha xenofobia contra uma pessoa, meu ódio pode ser tão evidente que me faz consciente dele. Se por outro lado meu ódio for inconsciente, posso me assustar com a reação do outro, até que ele/a me chame atenção por minhas opiniões xenofóbicas. Posso, então, me defender, negar minha xenofobia e achar que o outro é ultra-sensível e ridículo. Pergunto a outras pessoas que estavam presentes e elas dizem que eu, de fato, expressei idéias bastante radicais".



Mais um do premiado John Maxwell Coetzee, ganhador do Nobel de 2003. Nunca li Kafka, mas tenho a impressão que esse é um livro "kafkiano" em sua essência. Acompanhamos Michael K em sua desafortunada peregrinação numa injustíssima África do Sul, a vida no buraco - literalmente. O desespero mudo e surdo dos perdidos e que nunca tiveram uma chance. Livraço. Não é a toa que o cara ganhou o Nobel, viu?



Chico Buarque e seu mais novo exercício estilístico. Sinceramente, acho "Budapeste" gélido, distante, com um personagem egocêntrico e obcecado por seu anonimato/celebridade. É, como o Caetano escreveu na resenha que ilustra a orelha do livro, "Budapeste é um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como os poemas". Não sou centauro pra gostar de labirintos.
Livro de Birgit Öberg sobre encontros e diferenças culturais. A autora é casada com um embaixador sueco e morou em países tão diferentes como Tailândia, Algéria e Polônia. Uma coisa em particular me chamou atenção no livro de Öberg: a noção - até certo ponto evidente - de que o mundo é repleto de normas, padrões, que se diferenciam uma da outra dependendo de onde você vive. O frio sueco é relativamente normal, se comparado ao frio norueguês. Mas uma verdadeira impossibilidade se comparado aos invernos cariocas. Tudo, na verdade, é muito relativo. Livro ligeiro, sem ambições acadêmicas. Legal.


Michael Moore escreve que se um negro americano quiser igualdade de oportunidades de verdade, que se mude pra Suécia. Quase morri de rir, mas tudo bem, o cara não pode saber de tudo. Livro divertido e muito informativo, mostra as entranhas da maior e mais decadente democracia do mundo. Presente da Pururuquinha.


Nem sei o que dizer sobre esse livro do professor de antropologia social Thomas Hylland Eriksen, da Universidade de Oslo. Acho "Terrorismo cultural" simplesmente ge-ni-al. O excepcional é o autor, um homem evidentemente cultíssimo, que já deve ter lido MUITOS livros. Esse livro é o resultado de anos de estudos, leituras, muito pensamento e idéias originais. Um exemplo:"(...) fascismo é ter amigos íntimos, uma cidade natal e uma família, mas não ter capacidade de entender que outras pessoas, em outros locais, possam ter amigos, uma cidade natal e família - e ter uma vida rica e interessante, mesmo sendo diferente."E por aí vai. Leia! Leia! Leia! Läs! Läs! Läs!




Elsie Franzén arrasa quarteirão com esse livro liiiindo, cheio de insigts maravilhosos e muita experiência de primeira-mão com gente que largou tudo e mudou de país, como diz o título. Uma das melhores leituras que fiz desde que cheguei e me vi nessa situação de imigrante, querendo plantar umas raizesinhas aqui e ali mas sem saber exatamente como ou onde começar. Sensacional.



Mais um fascinante livro sobre os suecos e sua cultura "pura". Só quem lê livros assim é que pode sentar no sofá e rir dos neo-na****as que dizem querer conservar a Suécia e suas tradições. Em "Mil anos de imigração - uma história cultural sueca", Ingvar Svanberg e Mattias Tydén mostram a construção da sociedade sueca com a presença constante dos imigrantes. 


Seija Wellros descreve em seu "Idioma, cultura e identidade social" tudo o que senti nos meus primeiros tempos de Suécia (e, confesso, de quando em vez ainda sinto). Seija Wellros imigrou da Finlândia para a Suécia há mais de 30 anos e se tornou professora de sueco para imigrantes e, mais tarde, psicóloga. Ela define choque cultural como:"uma sensação de um caos cognitivo ameaçador e contínuo que acontece graças à falta por parte dos imigrantes de confiáveis instrumentos de tradução e pontos de referência fixos. Esse choque é vivido por todos os que se mudam, durante longo ou curto período de tempo, para um novo ambiente, e pode ter intensidades variadas. (...) Aquele que se muda para um novo país sente ao mesmo tempo o choque de se tornar "surdo-mudo", quando não entende o que se diz nem pode se fazer entender no idioma local."Lido em sueco.




Mauricio Rojas veio pra Suécia nos anos 80, como refugiado político chileno. Já aqui, estudou, virou empresário e político. Não gosto dele pessoalmente (já vi muitas entrevistas dele na TV e nos jornais), até porque ele é direitista, mas não posso negar que quando li esse livro, me identifiquei da primeira à última página. Todas as angústias, as faltas de entendimentos, os clashes between cultures and people, tudo, está lá, de forma bem pessoal, o que é um ponto positivo. Bem explicado, baseado em competente análise teórica. Muito legal. Já li muitas vezes esse livro e funciono até como "debatedora" junto com uma ex-professora da universidade, quando os alunos dela lêem Rojas.



Gostei desse livro, escrito por Carl-Johan Vallgren, que foi premiado com o Augustpriset de 2002. O livro, cujo título é algo como "A estrombólica história de amor", conta a história de Hercules Barfuss, que nasceu totalmente deformado em um bordel na Alemanha do século XIX, mas que tem um dom especial: ele lê o pensamento das pessoas a sua volta e pode se comunicar em pensamento também, em qualquer língua. Adoro essas doideras. Meio longo, no entanto. Fica repetitivo.

Tive que ler esse aqui pro curso de sociologia da universidade. O nome do autor é Göran Tunström e ele é visto como um dos grandes autores suecos. Eu não sei se foi porque odiei o professor desse curso, ou porque simplesmente não gostei do livro, mas foi dificílimo terminar de ler. Acho que só o fiz mesmo porque precisava escrever um trabalho sobre ele. Senão teria jogado no lixo. Arght!
Magnus Tideman organiza vários artigos nesse "Deficiência: visão, princípios e perspectivas" sobre o que é lidar com deficientes na sociedade atual. O primeiro capítulo, por exemplo, conta como os deficientes são vistos no mundo literário. A autora, Barbro Saetersdal, cita desde Shakespeare até Camus, passando por livros escritos por pais de crianças deficientes, onde os deficientes são geralmente retratados como pessoas/crianças boas e amáveis. Mas há um outro lado da moeda: a visão dos deficientes como a encarnação do mal. "Richard III não era deficiente físico, mas Shakespeare o fez assim como uma explicação para toda a maldade do personagem", escreve Saetersdal. Também estão lá Frankenstein, o corcunda de Notre Dame e o fantasma da ópera.
Jonas Hassen Khemiri, sueco nascido em Estocolmo de mãe sueca e pai tunisiano é o autor de um dos romances mais legais que li aqui. Seguimos Halim pelas páginas de seu diário, onde ele conta que "compreendeu tudo" ("Jag har genomskådat allt"). Revolta, marginalização, preconceito, ódio, amor e a procura por uma identidade numa Suécia onde imigrantes e nativos "não se misturam". Muito legal.



Carin Holmberg fez um livro de sua tese de mestrado, onde pergunta como a inferioridade feminina e a superioridade masculina se reproduzem na relação entre um par. Notem que ela sequer questiona se a mulher é vista como inferior ao homem. Isso porque, segundo a socióloga, não são apenas homens e mulheres que ajudam a manter as coisas como sempre, mas as estruturas sociais que não permitem uma igualdade de direitos e deveres entre os dois sexos. Um dos capítulos mais interessantes é o que discute exatamente a divisão de poder na relação a dois. E está lá uma coisa intererssante e polêmica: "O recurso de poder mais importante para as mulheres é ser a parte que ama menos". UAU.

Irving Goffman e seu clássico sociológico me deixaram de boca aberta. No livro, discute-se como pessoas estigmatizadas, seja por problemas físicos, um passado questionável (prisão etc) ou, simplesmente por ser imigrante, são vistas como "não indivíduos". Aqueles que discriminam, que Goffman chama de "normais", têm uma série de rotinas pra se relacionar com quem é diferente. Mas, segundo Goffman, até mesmo quem é diferente tem dificuldade de se livrar de seus defeitos. Recomento a todos que querem ser gente de verdade nessa vida.



Esse livro, cujo título todo é "A paisagem social - uma descrição sociológica da Suécia da década de 50 até o início da década atual", faz exatamente isso: conta a história da sociedade sueca dos anos 50 em diante, as mudanças de "moral" e atitude, o que era proibido e o que passou a ser aceito depois de um tempo. Fascinante. Tive diversos a-ha moments durante a leitura, com peças do quebra-cabeças nativo caindo em seus devidos lugares. Li por conta do curso de sociologia que foi parte dos meus estudos na universidade. Fácil de se ler, apesar de meio longo.


Mais um do Tony Parsons, esse, incrivelmente, eu comprei! O outro, in case you must know, era emprestado. Nem sei mais porque, aliás. A história aqui não muda muito. Harry Silver continua o spoiled-white-first-world-man que tem de tudo e que coloca tudo a perder. Aí, ele aprende a ser gente e cuidar do filho. Dessa vez, sozinho. Amém.
Marian Keyes viu Helen Fielding dando vida à nossa querida Bridget Jones e ficou com inveja. Aí, ela sentou em casa e escreveu esse livro, onde Lisa, Ashling (cruzes, que nome) e Clodagh (ainda pior), despirocam e olham descontentes pra suas vidas infelizes. Uma dirige uma revista em Dublin, mas o que ela queria mesmo era estar em Londres ou em Nova York. A outra não tem cintura e isso chega pra acabar com o dia de qualquer um, não é? E uma terceira é casada, mãe e dona de casa, mas o que ela quer mesmo é furunfar do outro lado da cerca. Não, não leve essa resenha a sério, assim como Marian Keyes também não deve ser levada a sério. Ligeirinho, ligeirinho. Pros dias de chuva.

Tony Parsons e a acidez britânica. Harry Silver é um daqueles pobres-diabos que tem tudo: mulher, amante, filho, enteada e trabalho. De repente, o mundo gira e ele perde tudo ou, mais exatamente, põe tudo a perder com sua spoiled-caucasian-masculin atitude. Eu ainda estava no rebound por conta do péssimo Grisham, de forma que gostei mais do que deveria desse livro.
Nesse, eu meu rendo. John Grisham conseguiu a façanha de me irritar com uma história que começa bem mas que desanda tão terrivelmente que me fez odiar o momento em que resolvi pegar o livro emprestado. Tudo estava certo: irritação, mau-humor, amor, carinho e saudade. Ao mesmo tempo, quando o final do livro se aproxima, tudo vai ficando sobrenaturalmente positivo que me dá vontade de puke. Ah, chega de hollywood, pelamordedeus! If you love your inteligency, skipp this book!
Thomas Anderberg escreve um livro bacana sobre a "A Arte de argumentar". Entre uma ou outra teoria, fica-se sabendo de pequenas curiosidades históricas, sempre interessantíssimas em sua inutilidade. Por exemplo, na Inglaterra da Era Vitoriana mostrar partes do corpo era impensável. Se o pé de uma dama não podia ser visto descoberto, muito menos as pernas. E, como vocês sabem, tudo o que é reprimido de um jeito, acaba aparecendo de outro. O desespero por cobrir pernas era tanto que até as cadeiras começaram a ter suas pernas cobertas por brocados e franças (Quando nego começa a sentir tesão por uma cadeira é sinal de que a situação já foi um pouco longe demais, concordam?)
Começo agora a escrever sobre os livros que preciso ler pra universidade. Nesse livro, sobre pedagogia social, entre outras coisas, li sobre a vida e o trabalho de Paulo Freire, nascido em (no???) Recife em 1921. Paulo Freire defendia que todas as pessoas têm uma capacidade interna que precisa ser liberada. O desenvolvimento humano, para ele, depende em primeiro lugar da alfabetização da pessoa. Muuuito interessante.
História verdadeira (o que por si só já é bacana). Morrie Schwartz era o professor favorito, mentor e amigo de Mitch Allbom. No dia do exame final, Mitch promete manter contato com o velho professor de sociologia, o que naturalmente não faz. Vinte anos depois, Mitch vê Morrie na TV e fica sabendo que ele está morrendo. Ele decide, então, visitar Morrie todas as terças-feiras, exatamente como durante os anos de estudos. Os dois conversam sobre amor, casamento, emoções, perdão, saudade e morte. Muito delicado e, como disse no início, fica ainda mais legal sabendo que a história realmente aconteceu.


Olha ele aqui de novo. Mais John Grisham na veia. Clay Carter, procurador público em Washington DC, acaba virando advogado de verdade (ou quase) quando se mete num caso contra uma multinacional do ramo farmacêutico. No caminho, um possível settlement, o que pode deixá-lo cheio da grana. Um daqueles livros pra se devorar num fim-de-semana chuvoso.


P.D James em mais um Adam Dalgliesh romance criminal. Na verdade, nunca tinha lido nada dela, apesar de sempre ter sido curiosa porque sabia da mistura de temas católicos com assassinatos misteriosos. Acho que esses dois ingredientes funcionam muito bem juntos (Umberto Eco que o diga). Mas, voltando ao livro, a história se desenrola no seminário de St Anselm, na costa norte da Inglaterra. Dalgliesh costumava passar verões no local (uhmmm, férias de verão num seminário... hur kul är det?) e é chamado pra resolver mais um crime. Muito bom, apesar do livro ser como o clima inglês: cinzento do início ao fim.


O último que li do Nick Hornby, já aqui na Suécia. O que dizer? Odd book, odd, odd, odd.. Katie Carr é médica e, por causa disso, a parte "boa" do casal que faz com David, um homem irritadíssimo. Essa "vantagem" dá a Katie o privilégio de ter um caso fora do casamento e de fazer outras tantas malvadezas. Mas quando o marido fica bonzinho de uma hora pra outra, o mundo de Katie acaba de funcionar. So so.
Comprei esse livro por impulso, no supermercado, simplesmente por ter gostado do nome. Convenhamos: "a enxaqueca da minha tia" é um título ótimo. Assim como a escritora dinamarquesa Hanne-Vibeke Holst, apesar de sua verborragia. O livro é uma autobiografia. Conta a vida de Holst, suas andanças pela União Soviética com o marido embaixador, a necessidades de se tornar, ela mesmo, uma pessoa com trabalho, interesses, competências. E vieram os filhos e outros relacionamentos e ela ainda busca essa "igualdade" mítica entre os sexos (uma coisa bem escandinava, por sinal). O lance do título é que Holst tinha uma tia que vivia com dor de cabeça quando festas de família aconteciam. Quando o marido dela morreu, ela milagrosamente "ficou boa" de suas enxaquecas e iniciou uma vida nova, muito mais satisfatória. Uhmmm.

Uma das piores porcarias que eu já li na minha vida. Herman Lindqvist geralmente escreve sobre a Europa, a França, a Itália e outros países onde ele morou ou visitou. Suas observações são bacanas. Esse livro, no entanto, um romance, é um pecado. Ele tenta criar uma historinha pra dar razão às suas descrições de lugares exóticos, dessa vez Hong Kong. Olha, é péssimo. Não se aventure.
O primeiro livro que li de John Maxwell Coetzee, o escritor sul-africano ganhador do prêmio Nobel de literatura de 2003. É um livro autobiográfico, no qual Coetzee conta sua infância, suas contradições crescendo na África do Sul do apartheid. Quem é ele? Afrikaan ou inglês? Católico ou protestante? Enquanto leio Coetzee uma palavra aparece na minha mente a todo o instante: seco. O livro é enxuto até a última gota. Não há uma "gordurinha" pra queimar, nada é excessivo. Tudo está no seu lugar. Leitura muito interessante, mas Coetzee é daqueles que ama-se ou deixa-se. Eu gostei muito.



Um dos melhores livros que li desde que vim morar na Suécia. Gellert Tamas conta a história de John Ausonius, que durante 1991 e 1992 apavorou Estocolmo, ao atirar em 11 pessoas com uma pistola com mira a laser (daí o nome). Uma pessoa morreu, todas as outras ficaram feridas gravemente. Em comum, as vítimas tinham apenas uma coisa: todos eram imigrantes, de pele e cabelos escuros. Ausonius, ele mesmo um svartskalle ("cabeça preta", denominação preconceituosa de suecos para com imigrantes) assaltava bancos para financiar sua vida marginal. 



Joanne Harris escreve uma história de segredos, traições e... comida. Tudo se passa no sul da França, na pequena cidade de Les Laveuses, onde a protagonista, Framboise, conta a história de sua família através de um livro de receitas mágico. Interessantíssimo livro. Original, bem escrito. Bonito. Dá vontade de comer o que Framboise cozinha e de fazer um caderno de receitas assim, entrelaçado com a vida.


Pra quem ainda não sabe, Armando Freitas Filho é meu pai. Tenho, naturalmente, todos os livros dele aqui comigo. Li todos, à medida que ia crescendo. Ao mesmo tempo, não tenho condições de escrever nada inteligente ou objetivo sobre a obra do meu pai, que é um poeta de primeiríssima linha. Ele é meu pai, ora bolas. De uma coisa eu sei, no entanto: ele é bom pra caramba. Os livros dele são:1. Palavra, edição particular, Rio de Janeiro, 1963.
2. Dual, poemas-práxis, edição particular, Rio de Janeiro, 1966.
3. Marca registrada, poemas-práxis, Editora Pongetti, Rio de Janeiro, 1970.
4. De corpo presente, edição particular, Rio de Janeiro, 1975.
5. Mademoiselle Furta-Cor, com litografias de Rubens Gerchman, edição composta e impressa manualmente por Cléber Teixeira, Editora Noa Noa, Florianópolis, 1977.
6. À mão livre, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1979.
7. Longa vida, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1982.
8. A meia voz a meia luz, edição particular, Rio de Janeiro, 1982.
9. 3X4, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1985. Prêmio Jabuti de poesia de 1986.
10. Paissandu Hotel, projeto gráfico de Salvador Monteiro, edição fora do comércio, Rio de Janeiro, 1986.
11. De cor, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1988.
12. Cabeça de homem, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1991.
13. Números anônimos, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1994.
14. Dois dias de verão, com Carlito Azevedo e ilustrações de Artur Barrio, Sette Letras, Rio de Janeiro, 1995.
15. Cadernos de Literatura 3, com Adolfo Montejo Navas, Impressões do Brasil, Rio de Janeiro, 1996.
16. Duplo cego, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1997.
17. Erótica, com gravuras de Marcelo Frazão, Editora Velocípede, Rio de Janeiro, 1999.
18. Fio terra, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2000 Prêmio Alphonsus de Guimaraens.
19. 3Tigres, com Vladimir Freire, Rio de Janeiro,2001.
20. Sol e carroceria, com serigrafias de Anna Letycia, Rio de Janeiro, 2001.
ENSAIO
Anos 70 - Literatura, com Heloísa Buarque de Hollanda e Marcos Augusto Gonçalves, Editora Europa, Rio de Janeiro, 1979.
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
1. Apenas uma lata, Editora Antares, Rio de Janeiro, 1980. Prêmio Fernando Chinaglia, 1980.
2. Breve memória de um cabide contrariado, Editora Antares, Rio de Janeiro, 1985.
TABLÓIDE
1. A flor da pele, com fotos de Roberto Maia, edição particular, Rio de Janeiro, 1978.
2. Loveless!, com gravura de Marcelo Frazão, Impressões do Brasil, Rio de Janeiro, 1995.
ALGUMAS ANTOLOGIAS BRASILEIRAS
1. A novíssima poesia brasileira, organizada por Walmir Ayala, Rio de Janeiro, Cadernos Brasileiros, 1965.
2. Pequena antologia da poesia práxis, organizada por Cassiano Ricardo, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Ed., 1966.
3. Antologia dos poetas brasileiros (fase moderna), organizada por Manuel Bandeira e Walmir Ayala, Rio de Janeiro, Edição de Ouro, 1967.
4. Literatura brasileira hoje, organizada por Arnaldo Saraiva, Lisboa, Jornal do Fundão, 1968.
5. Poesia de vanguarda no Brasil, organizada por Antônio Sérgio Mendonça, Rio de Janeiro, Ed. Vozes, 1970.
6. La moderna poesia brasileña (30 autores), Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Cultura, 1989.
7. 41 poetas do Rio, organizada por Moacyr Félix, Rio de Janeiro, Funarte , Ministério da Cultura, 1998.
POESIA NO EXTERIOR
1. Anthologie de la nouvelle poésie brésilienne, Ed. L'Hartmattan, Paris, 1988, trad. por Serge Bourjea.
2. Brasilien land der extreme, Ed. Haremberg, Dortmund, 1990, trad. por Ingrid Schwamborn.
3. Manuskript, Forum Stadtpark A-8010, Viena, 1993, trad. por Fritz Frosch.
4. The gathering of voices - The twentieth-century poetry of Latin America, Ed. Verso, London/New York, 1993, trad. por David Treece.
5. Modern poetry in translation, New Series/Nº 6/Winter 1994-95 Special Feature: Modern poetry from Brazil, King's College London, University of London, 1994, trad. por David Treece.
6. Antologia da poesia brasileira, Ed. Embaixada do Brasil em Pequim, Departamento Nacional do Livro, Fundação Biblioteca Nacional, 1994, trad. por Zhao Deming.
7. Cabeza de hombre, edição bilingüe, Ed. Hiperión, 1995, Madri, trad. por Adolfo Montejo Navas.
8. Poeti brasiliani contemporanei, Ed. Centro Internazionale della Grafica di Venezia, Veneza, 1997, trad. por Giampaolo Tonini, sob a curadoria de Sílvio Castro.
9. Norte y sur de la poesía iberoamericana, coordenação de Consuelo Triviño, Editorial Verbum, Madri,1997.
10. Vozes poéticas da lusofonia, organização Instituto Camões, cordenação Alice Brás e Armandina Maia, Câmara Municipal de Sintra,1999.
11. Journal of Latin American Cultural Studies Vol. 9, number 1, March 2000, trad. por David Treece.
ORGANIZAÇÃO E INTRODUÇÃO
1. Inéditos e dispersos - poesia/prosa, Ana Cristina César, Editora Brasiliense, São Paulo, 1985.
2. Escritos da Inglaterra, Ana Cristina César, Editora Brasiliense, 1988.
3. Escritos no Rio - artigos/resenhas/depoimento, Ana Cristina César, Editora da UFRJ/Editora Brasiliense, Rio de Janeiro/São Paulo, 1993.
4. Correspondência incompleta, Ana Cristina César, com Heloísa Buarque de Hollanda, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro, 1999.




Annika Bentzon novamente. Dessa vez, Liza Marklund faz sua heroína vir para o norte da Suécia, aqui pra Luleå, para investigar a morte de um jornalista local. Pra variar, Annika se envolve com tipos bem barra-pesada e, claro, coloca sua vida em perigo. Mesmo temendo por sua segurança, ela decide imprimir a história, o que a coloca em maus lençóis com todo mundo, até com o chefe. Coitada da Annika, ela num dá uma dentro! Esse aqui é apenas médio.
Mais Anne Holt. A heroína de alguns dos livros de Holt, a comissária de polícia Hanne Wilhelmsen, está deprimida depois da morte de sua companheira, Cecilie. No meio do processo de luto, Wilhelmsen tenta descobrir quem matou o famoso cozinheiro Brede Ziegler. Mas, como só nesse mundo de mestres cucas com egos superinflados, são muitos os que tinham razão para tirar a vida de Ziegler. So so.
Nunca me surpreendi tanto quanto com esse romance da Patricia Cornwell, que eu admiro pela série da médica forense Kay Scarpetta. Esse livro é um da série do assexuado Andy Brazil, que, apesar do nome, eu desgosto com todas as forças do meu ser. Não sei o que deu na Patricia Cornwell pra escrever um livro tão ruim assim. Cruz credo. Deveria ser retirado do mercado por respeito ao cérebro alheio. Péssimo.
Mais um livro de Henning Mankell, de quem li quase todos os da série do inspetor Kurt Wallander. Linda, filha do inspetor, é aspirante a policial e, claro, se enrosca num problemático caso envolvendo uma amiga de infância. Kurt vai lá dar uma mão pra filhota. Curiosamente aparece aqui Stefan Lindman, protagonista de outro livro de Mankell, "Danslärarens Återkomst". Linda se apaixona por ele. Como sempre, vale a pena ler. Sempre que eu leio as aventuras do desaventurado Wallander tenho a sensação de estar revendo um velho amigo.

O terceiro que li da norueguesa Karin Fossum e um dos que mais gosto. "Amada Poona" conta a história do amor do norueguês solitário Gunder Jomann e de Poona, vinda de Bombaim, na Índia. Ela vem pra Noruega, mas que nunca chega ao seu destino final. Mais um caso para o comissário Sejer, que precisa lidar cuidadosamente com as emoções dos moradores da antes aparentemente idílica Elvestad. Confesso que fiquei com o coração apertado com a morte de Poona. A Karin Fossum é tão boa pra descrever desespero! Oh. Vale a pena.


Sou fã de J.K Rowling. Não vou escrever jamais nada contra ela porque os livros do Harry Potter já me renderam tantos dias felizes que seria um absurdo. Tenho mais é que ser grata. Pra ser sincera, nem me lembro mais o conteúdo desse quinto livro, mas, garanto: é divertimento certo. Agora estou lendo o sexto livro, sobre o qual escrevei em breve. Acho que é um dos melhores até agora. Recomendo muitíssimo sempre, todos.



O segundo livro que li de Karin Fossum. Esse livro, cujo título traduzido é "Segundos Negros", ganhou prêmio de melhor romance criminal estrangeiro aqui na Suécia em 2002. A história é terrível: Ida, de nove anos, sai de casa de bicicleta pra ir comprar uma revista sobre cavalos e nunca mais volta pra casa. Acompanhamos, então, o desespero da mãe de Ida, Helga Jones. Mesmo sendo ficção, o livro mexeu comigo. Não pude deixar de imaginar que coisa pavorosa essa situação. Bem escrito, como sempre. Mas meio previsível.

Achei que tinha encontrado uma escritora sueca de cuja obra eu gostaria sem limites. Até que li esse "Andando às cegas" (tradução minha). Detestei esse livro. Acho que é porque finalmente me deparei com a face da Marianne Fredriksson que escreve muito sobre religião, o que existia em todos os outros livros, mas de forma muito mais sutil. Mas, é ainda uma parte do retrato do povo sueco, I supose.
Elizabeth George, de quem já tinha ouvido falar, não me fisgou. Li esse aqui até o final, fiquei intrigada a tal, mas, sei lá, não gostei muito não. O enredo envolve um mimadíssimo violinista, que perde a memória e a habilidade de tocar. Thomas Lynley e Barbara Havers investigam o caso e descobrem que o esquecimento do músico virtuoso pode ter a ver com um crime acontecido há 20 anos. So so.
Já contei que a Liza Marklund era jornalista de um dos canais de TV suecos antes de começar a escrever? Pois é, vai ver que é por isso que ela tem essa mania de ilustrar as capas de seus livros. Acho isso tão cafona! Bom, esse livro aqui fala do que as pessoas fazem em busca da fama. Como sempre, há uma morte misteriosa e a Annika Bengtzon, que nem um terrier, querendo saber a verdade. Na estranha timeline da Liza Marklund, esse livro se localiza entre "Paradiset" e "Sprängaren". So so.
Tinha lido um pequeno romance, cujo nome slips my memory, da escritora Aino Trosell, e resolvi apostar nesse aqui. O título é "Se o coração ainda bate". Historinha sobre os chamados "suecos da gema", aqueles seres meio paralizados pelo tempo, pelo frio e pelos seus próprios pre-conceitos sobre tudo e todos. Onde o silêncio vale mais do que ouro, onde o coração já não bate mais de jeito nenhum. O livro é bom, mas a história cansa a minha beleza.
Comprei esse livro, o primeiro de Torbjörn Flygt, por impulso e também, I'm a fraid to said it, porque gostei da capa. Não tinha idéia se compreenderia o sueco do livro, não muito direto e bastante dialectal (uhm... Existe essa palavra em português?). Mas entendi grande parte da história, perdi apenas detalhes e piadas datadas. É o chamado "romance de geração", conta a história da família Kraft pelos anos 70 e 80. Interessante é que Flygt faz um retrado da Suécia de então. Meu urso amou esse livro, até porque meio que reconta a vida dele. Pra mim, foi uma viagem a um museu. Bacaninha.

Depois de ter me encantado com "Simon och ekarna", comprei esse "Amada criança" sem pensar duas vezes. Conta a história de Katarina Elg, jovem e livre. Ela gosta de se sentir enamorada e não quer ter relacionamentos firmes. Até um dia em que ela se descobre grávida e resolve ter o filho. Quando diz isso ao pai da criança, leva uma senhora surra. Aí, a história de sua família volta à consciência e Katarina se aproxima de sua mãe. Bonito, sensível. Típico Marianne Fredriksson.


Não resisti e comprei outro de Anne Holt. Nesse aqui duas crianças são seqüestradas em Oslo e nada se sabe da razão. As famílias não se conhecem, os casos parecem não ter nada em comum. Até que uma das crianças aparece morta. Ninguém sabe o que aconteceu com a outra. Yngvar Stubø, inspetor da polícia norueguesa, chama Inger Johanne Vik, psiologa e jurista com um passado ligado ao FBI, para ajudá-lo a resolver o caso. Livro legal.

O segundo livro que li da Marianne Fredriksson e um dos que mais gostei. O protagonista é Simon, cuja vida é contada nesse livro. A mãe, os mistérios do pai desaparecido, os tios, a vida, o amor, o carvalho. Pode ser considerado como um retrato de uma geração de suecos. Muito legal. É um daqueles livros que a gente viaja dentro da história e fica com a impressão que os personagens devem existir na realidade. Lembro que peguei esse livro emprestado na escola de sueco e amei. Acho que vou acabar comprando um exemplar pra ter aqui em casa.



Amém! Uma policial astuta do sexo feminino! Esse é mais um livro policial protagonisado pela detetive Hanne Wilhelmsen, da polícia de Oslo. O plot, na verdade, eu nem me lembro, mas eu gosto demais da Anne Holt, escritora norueguesa. Ela já foi policial, repórter, advogada e até, durante um período curto, ministra da justiça da Norouega. Além disso tudo ela é abertamente homossexual, o que só faz aumentar meu interesse por ela. Adoro gente corajosa.

Clássico de J.D salinger e um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Holden Caufield é um dos meus heróis. O fato de ele não existir é apenas um detalhe. "O Apanhador no campo de centeio" é a minha bíblia. Não me preocupo com o fato de ter me identificado com um dos romances título do sonho decadente americano. Leio Salinger em geral, e o "Apanhador" em particular, porque no livro fala-se de sentimentos humanos. E humano todo mundo é, até os americanos.
O Holden fala o livro todo sobre solidão, estar perdido, não ser bom o suficiente, ser rebelde, amar, não ser amado em retorno, revoltar-se, querer morrer, sorrir, se enternecer com o amor de um irmão mais novo. Em resumo, a minha vida. Li o "Apanhador" aos 13 anos pela primeira vez e não vi nada ali. Depois, quando as coisas começaram a ficar mais difícieis, lá pela puberdade, li novamente e parece que as coisas entraram no eixo. Foi como se eu entendesse uma língua estrangeira, o "Salingerismo". Mais tarde, já com inglês suficiente, tive a alegria de ler "The Catcher in the Rye" no original. Nunca mais fui a mesma depois dessa experiência.



Marit Paulsen faz da história da sua vida um lindo romance "infantil" ou melhor, juvenil, sobre o triste destino das crianças nascidas na Noruega de pais alemães e mães norueguesas. Até hoje há uma discussão enooooorme sobre o assunto, que é uma vergonha pro povo noruguês. Essas crianças, nascidas do "pecado" das mulheres com os soldados invasores alemães, eram postas em asilos para loucos e sofriam uma discriminação horrível. Muitas não aguentaram o rojão e fugiram para a Suécia, em busca de proteção - ou de anonimato. Narrado em primeira pessoa pela ingênua Ida. Muito lindo.



O livro do Elio Gaspari é muito bom porque conta como foi construída e destruída a ditadura militar. São os pequenos pedaços de história, esquecidos pelos livros escolares e pelos doutores em seus tratados, que dão colorido ao texto. Gaspari começou esse livro há 18 anos, pensando em escrever um estudo de no máximo 100 páginas sobre o Golbery e o Geisel. Deu-se conta de que seria impossível fazer apenas isso. O livro conta por exemplo, como surgiu o Serviço Nacional de Informações, SNI. Foi idéia do Golbery, braço direito do Geisel e o "pensador" - se é que posso utilizar essa palavra - que organizou o poder pós-Golpe de 64. Um dos planos do SNI, descrito apenas de passagem no livro, era - pasmem! - invadir Portugal, numa guerra de colonização às avessas. A idéia apareceu em 1975 mas, claro, nunca foi levada a cabo. Que coisa.

Clássico sueco. Tive de lê-lo duas vezes para as aulas de sueco. Selma Lagerlöf, ganhadora do prêmio Nobel de literatura em 1909, escreve no seu dialecto, da região de Värmland, que não é necessariamente simples. A leitura, no entanto, depois de passada as primeiras barreiras linguísticas, é muito legal. Nesse livro, Jan i Skrotlycka é um homem amargo até o nascimento da filha Klara Fina Gulleborg. O amor de Jan pela filha ultrapassa todas as barreiras - até as da loucura. (Mas fiquem tranqüilos, Selma Lagerlöf não escreve sobre incesto e horrores do tipo).

Li esse livro nervosa do início ao fim. Aqui não tem Wallander, mas o detetive Stefan Lindman. Antes de começar seu tratamento contra o câncer que lhe come as entranhas, Lindman viaja até a região de Härjedalen, onde Herbert Molin, um policial aposentado, foi morto com requintes de crueldade. O livro, cujo título traduzido é "A volta do professor de dansa", todo é como a capa dessa edição - idêntica à minha - escuro, amedrontador. Bacana.

Zadie Smith é a nova darling da literatura britânica, depois desse début mais do que competente. Trata-se, segundo a própria Zadie, de uma novela cômica épica sobre três famílias, uma indiana, uma branca e uma misturada, no norte de Londres. O Timespan do livro vai desde a Segunda Guerra Mundial até os dias atuais. Eu adorei!


Adoro John Grisham. Não me venha dizer que ele é comercial, que só escreve sobre a mesma coisa todas as vezes que eu... vou concordar com tudo e continuar lendo todos os seus livros. Ray Atlee volta ao seu Mississippi natal para ver o pai, moribundo. Mas the old man estica as canelas antes do filho chegar e deixa pra trás um segredo chocante. U-hu.


O primeiro livro que li da norueguesa Karin Fossum, cujo título traduzido é "A casa dos loucos". Essa é a história de Hajna, que depois de pular de uma janela fechada e de receber 160 pontos pelo corpo todo, finalmente consegue ser aceita num hospital para pessoas desequilibradas mentalmente. Ela tem apenas 24 anos e é uma pessoa difícil. Angústia, medo da vida e da morte, uma pessoa paralizada por pavor de viver. Muito interessante. Karin Fossum, antes de ser escritora, trabalhou nesse tipo de clínicas. Fantástico relato.



Aqui Majgull Axelsson conta a história de Desirée, uma mulher que nasceu com uma falha cerebral que a impede de falar e se mover. Ela vive numa cama de hospital e se comunica com a ajuda de um computador. O que é diferente aqui é que Desirée tem a capacidade de sair do seu limitado corpo e encarnar em pássaros e pessoas, mais especificamente suas três irmãs - através das quais ela colhe experiências de vida fora do hospital. Parece meio esquisito - e é mesmo - mas o livro é muito bom. Um puro exemplar da literatura-fantástica sueca. Ganhou o Augustpriset em 1997.



Se não me engano esse foi o terceiro livro da Liza Marklund que li. Conta a história de Aida, uma mulher refugiada que precisa salvar sua pele e, para isso, conta com a ajuda de uma sociedade de apoio a mulheres pra lá de estranha. Quem ajuda Aida é a jornalista Annika Bengtzon - a protagonista de quase todos os romances de Marklund. Ela é uma repórter-terrier, que nunca desiste. Ela sua, se coloca em perigo e batalha pra ter carreira, apesar dos dois filhos e do marido Thomas. Que, aliás, ela conhece aqui nesse livro. Liza Marklund tem um estilo especial, um livro volta no tempo enquanto outro pula vários anos, que serão explicados nos livros seguintes. Uma doideira. Gosto muito dela.

O livro de Astrid Lindgren é surpreendente. Acompanhamos Skorpan (apelido do protagonista) e seu irmão mais velho Jonatan em sua busca por Nangiala, a terra das sagas, onde há aventura - e para onde todo mundo vai quando morre. Em meio à fantasia dourada e a uma realidade muito dura, escolhe Skorpan acompanhar seu irmão à Nangiala... Confesso que esse livro me traumatizou. Ainda hoje tenho dificuldade de ler Astrid Lindgren. Pra ser sincera, não pretendo fazê-lo tão cedo.
Mais um lido durante minha visita ao Rio, em 2002. Se não me engano, voltei pra Suécia lendo esse aqui. Mas, mais uma vez, não lembro de quase nada. Acho que não posso culpar o livro, uma vez que minha cabeça estava a mil, mas ainda assim, toda a história criada pelo Jô Soares foi simplesmente apagada da minha memória. Li a contra-capa e me lembro vagamente de Sherlock Holms no Brasil e tals. Acho que gostei desse aqui. Vou dar uns três corações, just to be fair. Presente da tia Tereza Cristina.

Esse aqui eu comprei na "Letras e Expressões" de Ipanema durante minha primeira (e até agora, única) visita ao Rio desde que me mudei pra cá. Como disse antes, adoro o Jonathan Kellerman, mesmo suas histórias sendo meio pesadas. Antes de se tornar novelista, ele era psicólogo infantil. Talvez por isso seu personagem principal seja Alex Delaware, um psicólogo infantil/juvenil legal que se faz parte das investigações de Milo Sturgis, um típico cop americano. Eu adooooro. Nesse aqui Alex tenta entrar em contato com a adolescente desvairada Lauren Teague e sua família pra lá de estranha. Bacana.

Amo esse livro. Amo. Também adoro o filme, que tenho em DVD. O Carl Sagan consegue me enfeitiçar desde pequena, quando via a série "Cosmos", que passava na Globo às vezes. Eu ainda me lembro de cenas de alguns programas, como o que explicava a velocidade da luz. Nunca mais vou esquecer. Esse livro é delicado e ao mesmo tempo impressionante. O filme, milagre, é tão bom quanto, com uma inspiradíssima Jodie Forster. Li esse livro várias vezes. A primeira foi depois de ver o filme, em 1997, a segunda quando estava visitando minha mãe no Rio, em 2002. Li ainda uma terceira vez, em inglês, na edição que dei de presente pro meu urso. Leia o livro! Veja o filme!



Esse aqui eu também comprei na feirinha de livros usados do Leblon em 2002, quando visitei o Brasil pela primeira (e única) vez desde que me mudei. Não gosto de me repetir, mas a verdade é que não lembro de nada desse aqui também não. É da Ellis Peters, que escreve sobre Meriet Aspley, um noviço de 19 anos da Abadia de São Pedro e São Paulo. Mais do que isso, não me lembro. Dou três corações que é pra não ser injusta.

O primeiro da Ellis Peters que li. Comprei esse aqui na feirinha de livros usados do Leblon, ainda durante minha visita ao Brasil em 2002. Já conhecia Ellis Peters porque meu urso gosta muito de seus livros, mas nunca tinha lido os livros dela. Nesse aqui o irmão Cadfael investiga a morte de mais um padre (ou qualquer variação do tema), no ano de 1141. Mais uma vez, não me lembro de muita coisa, mas acho que gostei do livro.

Nunca tinha lido nada da Nora Roberts. Comprei esse no Brasil, durante minha visita em agosto-setembro de 2002. Não lembro de mais nada, a não ser do que está na contra-capa: "As moradoras de um charmoso prédio de apartamentos em Nova York ficam alvoraçadas com o novo inquilino do apartamento 3B. Mas, para frustração geral, o homem alto e atlético que às vezes inunda os corredores com o som pungente de um saxofone não dá margem a nenhum tipo de aproximação (...). Preston McQuinn não quer viver a avassaladora história de amor que o destino reservou para ele(...)". Oh, christ.
Pra ser muito sincera, não me lembrava mais desse aqui. Tive que ir buscá-lo na estante pra comparar com as notas esparsas da resenha da livraria online. Esse livro é o último da série oficial do inspetor Wallander, e traz cinco histórias. A primeira se passa em 1969, quando Wallander tinha 21 anos e estava no começo de sua carreira como policial. A última história se passa em 1989. Acho que Mankell queria explicar uma série de detalhes da vida de seu protagonista e, por isso, escreveu o livro. Legal, though.

Sexto livro do Henning Mankell sobre o inspetor Wallander, e meu sexto também. Esse, cujo título traduzido é "Firewall", também é dos que gosto mais. Ele foi escrito lá pelo meio dos anos 90 (acho que foi 97) e é por isso que o coitado do Wallander tem que entrar em contato pela primeira vez com o mundo cibernético. A sorte é que ele tem companheiros de trabalho mais capazes do que ele nesse campo. Bacaninha mesmo.

O título, traduzido pro inglês, fica "One step behind". Mais uma história do Wallander que eu acho meio chata. Dessa vez, três jovens combinam de se encontrar numa clareira na região de Österlen. Eles se fantasiam com roupas e perucas de outras eras, tudo para entrar no seu rollspel - que acaba tendo um fim meio macabro. É verão em Ystad e Wallander tenta levar uma vida mais saudável. De repente, um policial aparece morto. Wallander joga a cenoura de lado e começa a descobrir segredos de ambos os lados. Bacana, mas ainda meio fraco.

Esse aqui eu não gostei muito não. Wallander está mais deprimido do que nunca, depois de ter matado uma pessoa in the line of duty. Ele entra numa espiral de consumo mais do que exagerado de álcool e se auto-despreza mais do que nunca, o que, aliás, não chega a ser desinteressante. Mas, ele quer largar a profissão de policial. Aí, aparece um antigo conhecido e pede ajuda ao nosso querido inspetor de polícia. So so.

O terceiro Henning Mankell da minha longa lista. Louise Åkerblom, uma mulher religiosa, casada, etc e tal, some. Ninguém sabe onde ela se meteu. Wallander, claro, tem um gut feeling que ela morreu e, enquanto investiga o caso, descobre que as coisas não são tão simples como parecem. O inspetor descobre que o caso de Louise tem a ver com o apartheid sulafricano e uma rede internacional de assassinos, contratados para, entre outras coisas, não deixar Nelson Mandela subir ao poder. Parece meio maluco, mas funciona.


O segundo livro da série com o detetive Wallander e também o segundo que li, depois de "Faceless Killers". Esse eu comprei em sueco morrendo de medo de não entender bulhufas, mas graças aos meus abençoados neurônios e ao estilo do Henning Mankell, entendi quase tudo. Dessa vez um bote aparece na costa sul sueca com dois homens mortos a bordo. Wallander precisa saber de onde veio o bote, quem são os homens e porque eles foram mortos. Mankell faz, então, seu herói viajar para o leste europeu, onde tudo ainda é muito "soviético". Bacanérrimo. Um dos meus preferidos.



Mais Liza Marklund. Uma jovem é morta, o suspeito é um ministro. Annika Bengtzon é estagiária no jornal Kvällspressen (lembrem-se que a Liza Marklund vai pra frente pra trás com suas histórias) e vê nesse crime a oportunidade de conseguir ser contratada de verdade. Esse livro deveria ser uma história independente dos outros livros com Annika Bengtzon como protagonista. Mas eu acho que é mais um na fila. É legal também, apesar de eu, hoje em dia, não agüentar muito mais ler sobre a Annika Bengtzon. Acho que foi overdose.

Esse aqui foi o primeiro livro da Liza Marklund que eu li. Peguei emprestado na escola, onde aprendia sueco. Achei que não conseguiria entender nada, mas, eis que simplesmente entendi tudo! Ou quase tudo. Mas gostei tanto que li quase todas as histórias sobre a repórter Annika Bengtzon. A coitada está sempre suando e cheirando mal, se acabando de trabalhar prum jornal como estagiária ou, mesmo promovida, ralando no turno da madrugada. A história desse aqui é que as Olimpíadas iriam ser em Estocolmo, mas, dias antes, uma bomba explode no estádio mais importante da cidade. Lá vai a Annika se meter em complicações. Bacana. Esse aqui ganha um coraçãozinho extra por ter sido um dos primeiros livros em sueco que li, gostei e, principalmente, entendi tudo.


Um dos melhores John Grisham's que eu já li. O protagonista é o pequeno Luke e suas aventuras começam em 1952, quando a família dele aluga uma fazenda de algodão em Arkansas. Uma série de acontecimentos interessantes, pessoas diferentes, medo, coragem, desafios e amor acontecem ao redor de Luke. Realmente adorei esse livro. Vale muito a pena.



Um dos livrinhos mais bonitinhos que já li desde que me mudei. Conta uma história de amor improvável, entre um fazendeiro e uma bibliotecária. A autora, Katarina Mazetti, ficou rica com a venda dos direitos do livro pro cinema. O filme é liiiiiiindo e tem o final feliz que falta no livro. Me lembrei que comprei esse livro na primeira viagem que fiz sozinha a Estocolmo. Mas achei que estava enganada porque em maio de 2002 eu ainda tinha um sueco bem rústico. Mas foi isso mesmo. Comprei o livro e o li em algumas horas no trem de volta pra casa. Muuuito lindinho. Só não ganha cinco corações porque não gosto do final. :c)


Livro delicadíssimo. Escrito pelo marido de Iris Murdoch, John Bayley. A escritora britânica, da qual eu jamais havia ouvido falar, sofreu anos com o Mal de Alzheimer, o que fez sua história especialmente interessante para mim. Li cada página com um aperto no peito; por vezes reconhecendo sintomas, outras simplesmente constatando que essa doença terrível arrasa com quem quer que seja. Tanto pacientes quanto familiares sofrem perdas distintas, porém de forma igualmente dolorosa. Muito tocante.


O livro de Michelle Magorian conta a história de Willie Beech, um menino que foi "evacuado" (no sentido anglo-saxão da palavra, por favor) da cidade de Londres, quando da Segunda Guerra Mundial. Willie vai morar com Tom Oakley, um velho solitário no pequeno vilarejo Little Weirwold. É uma história comovente, ainda que meio sentimentalóide. Meu conselho: desarme-se das patrulhas ideológicas que nos impedem de se entregar à emoção e aproveite. :c)



"Of Mice and Men", o clássico de John Steinbeck, originalmente publicado em 1970. Foi um dos primeiros livros que li em sueco e se mostrou mais fácil do que eu imaginava - pelo menos do ponto de vista gramatical. Conta as andanças de Lenny e George pelo Sul dos EUA durante a depressão dos anos 30. Steinbeck escreve sobre amizade, traição e desespero. Muito legal.


O quarto livro da série escrita por J.K Rowling. Foi lançado em 2001, mas eu só li um ano depois. Tem gente que acha repetitiva a história do Harry, dos seus amigos, do colégio maravilhoso Hogwarts e tudo mais. Eu adoro. posso ler muitas vezes os livros, ver repetidamente os filmes (tenho, por enquanto, apenas dois em DVD) e não me canso. Acho que é nesse aqui que Harry e Neville começam a lutar juntos contra You-know-who.



O primeiro Henning Mankell que li. Por ainda estar bastante cru nos meus conhecimentos da língua sueca, comecei comprando o livro em inglês. Foi suficiente para me fisgar. Depois desse, li quase todos os livros policiais com o inspetor Kurt Wallander como protagonista. Nesse aqui, a vida pessoal de Wallander, pra variar, está indo pras cucuias, enquanto um assassinato pavoroso acontece numa fazenda afastada. Um casal de velhinhos é morto de forma brutal e as suspeitas caem, surprise surprise, na comunidade local de imigrantes. Ótimo. Dica do Sérginho Maggi.



Esse aqui meu urso já tinha em sua estante. Peguei pra ler porque ainda não sabia ler em sueco e estava sem nada na mesa de cabeceira. Mas, sabe que apesar das loucuras todas, achei bem legal? Esse Coonts (que nome, cruzes) escreve sempre sobre aviões e coisas do tipo. Esse, no entanto, é um pouco diferente. Mais um daqueles prum dia chuvoso, ou quando a espera no aeroporto é mais longa do que deveria ser.
Tive que ir buscar esse do John Grisham na estante porque já não me lembrava mais do que se tratava. Bom, a história gira em torno de três juízes, velhos e astutos, confinados numa prisão de segurança mínima. Eles se encontram todos os dias na biblioteca da prisão, onde se dedicam a, entre outras coisas, montar um esquema fraudulento envolvendo cartas. Até que um dia tudo acabal mal. So so.
Um dos desdobramentos da série de novelas com Jack Ryan. Aqui, os protagonistas são os integrantes do grupo Rainbow Six, que são despachados para todos os cantos do planeta para lutar contra o terrorismo - e a favor do presidente dos EUA. Clancy é entrevistado regularmente pelo Discovery como um dos experts em assuntos militares, o que é legal. Mas aí, quando lemos as barbaridades que esses homens e (poucas) mulheres fazem em nome da democracia americana, a gente pensa imediatamente em George W. Bush, não no gostoso do Harrison Ford (que interpretou Jack Ryan um milhão de vezes no cinema). O livro é bacana, no entanto.

Esse foi o primeiro livro do Tom Clancy que eu li, quando ainda não conseguia ler em sueco e não tinha livros novos em português aqui. O mais fenomenal é que nesse livro, uma ficção tendo o herói "clancyano" Jack Ryan como vice-presidente, conta a história de um avião que cai (ou "é caído") no Capitólio, matando o presidente da república dos EUA, seu cabinete e a grande maioria do congresso. Sounds familiar?. Então dê uma olhada na data de quando eu estava lendo esse livro. Fico arrepiada até agora.


Jonathan Kellerman é um dos escritores de best sellers mais competentes dos EUA (na minha opinião, claro). Ele já tem uma fórmula pronta, personagens conhecidos e apreciados e algums plots bastante criativos. Nesse aqui Kellerman escreve sobre eutanásia e várias "mortes assistidas" feitas por um médico californiano. No meio disso tudo, o psicólogo Alex Delaware e o detetive Milo Sturgis suspeitam que alguns pacientes não entraram nessa de livre e espontânea vontade. Bacaninha.

O terceiro que li. Tá lá no site da livraria online que esse livro foi lançado em 1999, mas eu só li em 2001, eu acho, quando já estava morando aqui na Suécia. Me lembro que estava começando a aprender sueco e até comprei o primeiro volume traduzido pra sueco, mas, claro, não consegui ler bulhufas. Gosto desse também. Detesto os dementors e conheço várias pessoas reais que poderiam ser classficadas na qualidade dos monstros chupadores de energia e alegria de viver.



Esse aqui não tem capa. Trata-se do livro de Elizabeth Fernandes Xavier Ferreira, irmã da minha tia Tereza Cristina (mãe da Ana Flavia, minha amiga de faculdade). Elizabeth, corajosa, publicou um livro de poesia como seu début. Quando abri o livro para lembrar de poesias que gostei mais, vi uma carta muito delicada dela, dirigida a mim. Falava sobre amor entre pessoas diferentes e vidas que têm outros rumos. Não sei o que fiz pra merecer ter contato com a família da Ana, mas deve ter sido algo muito bom. À poesia:
IntegralLido em português
Muitos me amam
pelas mesmas razões,
puro eco de seus
próprios anseios.
Só você enfrenta
o açoite de minha
face sombria:
me ama, apesar de tudo
e de sua própria razão,
por inteiro.



Depois do grande sucesso do "Alta Fidelidade", o Nick Hornby teve seus outros livros recebidos com facilidade num mercado difícil como o do Brasil. Esse eu li quando foi lançado e gostei muito, mais pela relação delicada entre menino e homem canalha livre e desempedido. O filme com o Hugh Grant como Will é muito bom também. Talvez por conta do garotinho que faz as vezes de Marcus, que é muito competente, ou da mãe dele, Fiona, vivida por uma das minhas atrizes favoritas, Toni Collette.


O segundo da série e o segundo que li, lá pelos idos de 2000. O que gosto dos livros da J.K Rowling, além do estilo fluído dela, é o total descompromisso com a chamada literatura séria. Acho que ela deve se divertir tremendamente pensando nessas loucuras todas. O que gosto é que o papel do meu querido e amado Ron tem aumentado ao passar dos anos. E ainda não me conformo do Harry precisar voltar pra casa dos tios todas as férias. Será que ele não poderia ser adotado pelos Weasleys?



Sempre tive curiosidade com relação aos livros do J.R.R Tolkien, que via sempre em edições antigas em algumas livrarias do Rio. Aí, depois de conhecer o meu urso, um fã inveterado, resolvi que estava na hora de ler os três volumes. "Sociedade do Anel", "As Duas Torres" e "O Retorno do Rei" são ótimos. Gosto mais do primeiro. O segundo é mais soturno e o terceiro, ainda que melhor que o segundo, traz uma parte chata no fim (a do retorno dos hobbies ao shire). Li os livros e imaginei os cenários... Logo para alguns anos depois vê-los no cinema, nos filmes do Peter Jackson. Meu irmão herdou meus livros do Tolkien e também é um fã. :c)



Esse foi o primeiro que li, numa edição comprada na Califórnia, onde tinha ido visitar minha amiga Ana Flávia. Fiquei hipnotisada pelas aventuras do Harry Potter. Meu irmão ainda era um pouco novo demais pra ler livros tão grandes (e sem figuras!) mas, logo depois, ele começou a gostar. Hoje, somos dois enlouquecidos pelas aventuras do Harry. Beijo, irmão. :c*



Esse foi o primeiro livro que li da Marianne Fredriksson. Já aqui me encantei. Pra falar a verdade, pouco me lembro do enredo, apenas sei que é a história de três gerações de mulheres de uma mesma família. Marianne Fredriksson é uma mestre pra criar personagens femininas de primeira linha. Eu me lembro que gostei muito desse livro que, infelizmente, não me acompanhou na minha mudança. O título da versão que li era "Hanna's Daughters". O título acima é do livro no original, em sueco. 


Livraço da atriz e comediante americana Camryn Manheim. Já li três vezes e sei que lerei novamente. Sempre que a moral cai, que me acho o fim da picada, leio esse livro e me sinto melhor. Manheim estava a escrever, na verdade, um stand up show e acabou com um livro pronto. Ela conta sua vida, as coisas engraçadas e as não tão engraçadas em ser uma adolescente e uma mulher gorda. As maluquices que fez para fit in, até o dia em que, enlouquecida pela mania da mãe em lhe dar vestidos quatro números menores do que seu manequim, gritou no meio da loja de roupas: "Wake up! I'm fat!" Maravilhoso.



Esse foi o meu primeiro Nick Hornby - o que foi uma sorte danada. Adorei tudo o que Rob falava, que pra mim, aliás, era grego. Fazer listas de músicas que ele gostava? Ficar sabendo que sua ex-mulher ainda não tinha feito sexo com o amante pra, minutos depois, ir pra cama com outra mulher? Nossa, esses homens são uns loucos mesmo. Mas, uns loucos divertidíssimos. O livro é fenomenal, e o filme, feito por John Cusack, consegue a façanha de ser quase tão bom quanto. Presente do meu querido amigo Ivson.



Esse foi, se não me falha muito a memória, o primeiro livro em inglês que li na vida. O autor Jon Krakauer, não me era conhecido na época, mas li apenas um pequeno trecho da contra-capa (o que hoje em dia não faço mais), gostei e levei pra casa. Eu estava, aliás, estudando inglês em Nova York, por isso é que me lembro. Lutei durante quase um mês inteiro com esse livro e com uma história arrepiante, porque verdadeira. Krakauer conta a aventura de Chris McCandless, um rapaz de classe média de 24 anos, que resolve deixar a civilização pra trás e ir morar no meio do nada, no Alasca. O autor reconstrói a vida de McCandless, o que é fascinante.



Li esse livro há tanto tempo que não me lembro de muita coisa, mas sei que Rainer Maria Rilke escreveu cartas a um jovem poeta - hence the title - descrevendo como é ser um escritor. Na verdade, lendo a resenha na livraria online de onde copiei a imagem da capa ao lado, fiquei com muita vontade de ler o livro novamente. São cartas, não são? Então, meu território preferido.



Autobiografia romantizada da Sylvia Plath, uma das maiores poetisas e escritoras americanas de todos os tempos. A conheci por intermédio do meu pai e, desde que li esse livro, virei uma fã ardorosa. A história de Plath é muito triste: talentosíssima, ela se matou moça, tudo indica que, em parte, por conta das traições do marido. Pra entender o "ambiente" Sylvia Plath é preciso ler esse livro, que é muito bom, além de um de seus poemas mais conhecidos, "Lady Lazarus". Ainda não vi o filme com a Gwyneth Paltrow, mas já ouvi falar que ela está muito bem.



Coletânea de textos românticos escolhidos e traduzidos por Décio Pignatari. Edição cuidada da Companhia das Letras, com os textos originais também. Contém "Vida Nova", de Dante Alighieri; "Romeu e Julieta", de Shakespeare; "Os rivais", de Richard Brinsley Sheridan; e "O diário" de Goethe. Me peguei voltando no tempo, lendo as partes que havia sublinhado. Estava lendo esse livro quando meu irmão nasceu.

Achei esse livro num sebo perto da minha academia de ginástica, a Corpore em Ipanema. Na verdade, passava mais tempo no sebo do que na academia... Estou aqui a folhear o livro e vejo as muitas marcas que fiz, anotações e partes sublinhadas. Esse é um dos livros mais bonitos que li, mais românticos e, em se tratando de Ingmar Bergman, um dos mais depressivos também. Mas é lindo. Ele explica na contra-capa da minha edição:"Face a Face é uma história sobre a Vida, o Amor, e a Morte."Quem diria que um dia poderia ler Ingmar Bergman no original? :c)




Li três livros de Dostoiévski, todos emprestados pelo meu pai, que tem coleção de luxo. Aliás, comecei quando comprei o primeiro volume de uma edição dupla portuguesa de "Crime e Castigo". Completei a leitura, depois, com os livros do papai. Aí, continuei com "O Idiota" e, claro, "Os Irmãos Karamazov". Acho Dostoiévski fantástico. Você entra tanto na narrativa que, quando o livro acaba, você continua meio que imerso na história. Quando havia terminado de ler "Crime e Castigo", precisei de um ou dois dias sem ler nada pra poder sair da história de Raskolnikov.



Se não me engano, "A Fúria do Corpo" foi o primeiro livro do João Gilberto Noll que li, seguido logo depois de "O cego e a dançarina", livro de contos. Mas não me lembro mais. Só sei que adoro a prosa masculina dele, adoro. Me lembro que às vezes tinha rápidos ataques de pudicizia quando lia suas histórias, para em seguida confirmar que a vida tinha, de fato, muito mais a me oferecer do que eu jamais poderia imaginar. Li todos os livros do Noll emprestados do meu pai.


